Diabetes no Brasil:
O Brasil já ocupa o 6º lugar mundial em número de casos de diabetes, com 16,6 milhões de pessoas vivendo com a doença — e muitas ainda sem diagnóstico. Este guia aborda tudo o que você precisa saber: causas, sinais de alerta, os melhores tratamentos disponíveis hoje, a importância das consultas regulares, e as terapias emergentes que podem transformar os cuidados com a diabetes nos próximos anos.
A diabetes é uma das doenças crônicas mais prevalentes no Brasil — e uma das mais subdiagnosticadas. É frequentemente descrita como uma "doença silenciosa" porque a diabetes tipo 2, responsável por mais de 90% dos casos, pode se desenvolver lentamente ao longo de vários anos sem sintomas perceptíveis. Quando o diagnóstico é feito, a doença muitas vezes já está presente há algum tempo.
A boa notícia é que a diabetes é altamente controlável. Com o diagnóstico correto, o tratamento adequado e um acompanhamento regular, as pessoas com diabetes podem viver de forma plena e saudável. E com os avanços notáveis da última década — em especial o surgimento dos agonistas do receptor GLP-1 e dos inibidores SGLT2 — as opções clínicas disponíveis no Brasil são hoje as melhores de sempre.
Seção 01
A Diabetes no Brasil: Entendendo a Dimensão do Problema
De acordo com o Ministério da Saúde, a pesquisa Vigitel mostrou que a prevalência de diabetes em adultos brasileiros passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024 — um crescimento de 135% em quase duas décadas, motivando o lançamento em 2026 do programa Viva Mais Brasil, com investimento previsto de R$ 1,5 bilhão no enfrentamento conjunto de diabetes e hipertensão. O Atlas Global do Diabetes 2025, publicado pela International Diabetes Federation (IDF), revelou que o Brasil ocupa o 6º lugar mundial em número de casos, com 16,6 milhões de pessoas vivendo com a doença — um aumento de 5,7% em apenas quatro anos. A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estima que o total no país, incluindo casos não diagnosticados, já se aproxime de 20 milhões de pessoas.
Fontes: Ministério da Saúde — Vigitel 2025; International Diabetes Federation — Atlas Global do Diabetes 2025; Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Segundo a IDF, o diabetes já é responsável por mais de 111 mil mortes por ano no Brasil — cerca de 20 vezes o número de óbitos por dengue no mesmo período — e figura, de acordo com a SBD, como a principal causa de amputação não traumática de membros inferiores no país, com mais de 10 mil amputações registradas anualmente pelo SUS, uma média superior a 28 por dia.
Seção 02
Tipos de Diabetes
Nem toda diabetes é igual. Entender o tipo que você tem — ou para o qual está em risco — é o primeiro passo para um manejo eficaz.
Seção 03
Causas e Fatores de Risco
Diabetes Tipo 1
A causa exata da diabetes tipo 1 permanece incompletamente compreendida. É uma doença autoimune — o sistema imunológico do organismo ataca e destrói erroneamente as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Fatores genéticos desempenham um papel, assim como, possivelmente, a exposição a determinadas infecções virais. No Brasil, a investigação nesta área é desenvolvida por centros como a SBD — Sociedade Brasileira de Diabetes e por grupos de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Diabetes Tipo 2
A diabetes tipo 2 tem um conjunto de causas mais complexo e modificável, combinando predisposição genética com fatores de estilo de vida e ambientais. O mecanismo central é a resistência à insulina — em que as células do organismo deixam de responder eficazmente à insulina — associada a um declínio progressivo na capacidade do pâncreas de compensar com maior produção.
Seção 04
Sinais e Sintomas
Os sintomas variam consideravelmente entre a diabetes tipo 1 e a tipo 2. A tipo 1 costuma se apresentar de forma aguda — com surgimento rápido de sintomas que podem indicar cetoacidose diabética (CAD), uma emergência médica. A tipo 2, ao contrário, se desenvolve tipicamente de forma lenta e silenciosa ao longo de anos, com sintomas tão sutis ou graduais que muitas pessoas os atribuem ao envelhecimento, ao estresse ou ao cansaço do dia a dia.
Seção 05
Tratamentos Atuais para a Diabetes no Brasil
O tratamento da diabetes passou por uma verdadeira revolução na última década. No Brasil, o Ministério da Saúde define o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Diabetes Mellitus Tipo 2 — atualizado em abril de 2024 e vigente desde 2025, com avaliação da CONITEC — alinhado às recomendações internacionais da American Diabetes Association (ADA) e da European Association for the Study of Diabetes (EASD). O país também investe na produção nacional de insulina: uma parceria público-privada prevê a entrega de 20 milhões de frascos de insulina glargina para o SUS, e está em discussão a ampliação do acesso a insulinas análogas de ação prolongada para pacientes com diabetes tipo 1.
Modificação do Estilo de Vida — A Base de Todo Tratamento
Para a diabetes tipo 1 e tipo 2, o estilo de vida é o alicerce do manejo da doença. Para a tipo 2 em particular, a mudança alimentar e o aumento da atividade física podem reduzir significativamente a HbA1c, melhorar a sensibilidade à insulina e, em alguns casos — sobretudo após cirurgia bariátrica ou dietas de baixíssimo aporte calórico — levar a uma remissão sustentada. A SBD, a ANAD e as equipes de nutrição e enfermagem das Unidades Básicas de Saúde do SUS oferecem apoio estruturado para o manejo do estilo de vida em todo o país.
Tratamento Farmacológico
As seguintes classes de medicamentos estão disponíveis no Brasil. As decisões terapêuticas são individualizadas — as diretrizes do Ministério da Saúde, da SBD e da ADA 2025 reforçam uma abordagem centrada no paciente, que considera o risco cardiovascular, a função renal, o peso e as preferências individuais.
Seção 06
A Importância das Consultas Regulares
A diabetes é uma doença crônica que evolui ao longo do tempo, e suas complicações — se não detectadas — podem ser graves e irreversíveis. A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira evitável na população adulta brasileira. A nefropatia diabética é um dos maiores determinantes da doença renal crônica terminal. A neuropatia periférica origina complicações no pé que, nos casos mais graves, podem resultar em amputação — segundo a SBD, o diabetes já é a principal causa de amputação não traumática de membros inferiores no Brasil, com mais de 10 mil procedimentos por ano registrados pelo SUS, uma média superior a 28 por dia, e cerca de 13 milhões de pessoas com diabetes convivendo com úlceras nos pés.
Décadas de pesquisa demonstram que todas essas complicações são amplamente preveníveis — ou significativamente atrasadas — com bom controle glicêmico, manejo da pressão arterial e acompanhamento regular. A consulta anual estruturada para diabetes é uma das intervenções com melhor relação custo-benefício em toda a medicina.
O Que Deve Incluir Sua Consulta Anual de Diabetes
- Avaliação da HbA1c (média de glicemia dos últimos 3 meses)
- Medição da pressão arterial e revisão da terapia anti-hipertensiva
- Função renal — taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) e relação albumina/creatinina urinária
- Colesterol e perfil lipídico completo
- Avaliação do peso e do IMC
- Exame dos pés — incluindo avaliação de pulsos e sensibilidade
- Exame de fundo de olho para rastreio de retinopatia diabética
- Revisão e ajuste da medicação, se necessário
- Avaliação da adesão ao plano de autocuidado da diabetes
- Avaliação do tabagismo e apoio à cessação, se aplicável
- Vacinação contra a gripe (fortemente recomendada para pessoas com diabetes)
Rastreio para Quem Ainda Não Tem Diagnóstico
Se você tem fatores de risco para diabetes tipo 2 e nunca foi avaliado, seu médico pode solicitar uma glicemia em jejum ou uma HbA1c — exames simples, disponíveis na rede pública e privada. Isso é especialmente importante se você tem mais de 45 anos, histórico familiar de diabetes, pressão alta ou teve excesso de peso durante a gravidez. A detecção precoce de pré-diabetes oferece uma janela real de oportunidade para prevenir ou adiar o surgimento da diabetes tipo 2 por meio de mudanças no estilo de vida.
Seção 07
O Futuro do Tratamento da Diabetes
O ritmo de inovação na medicina da diabetes é sem precedentes. Diversas áreas de pesquisa — algumas já em ensaios clínicos avançados — têm o potencial de transformar fundamentalmente o que significa viver com diabetes na próxima década.
A pesquisa sobre terapia com células-tronco para diabetes tipo 1 é analisada em detalhe em uma publicação de 2025 na PMC (PMID: PMC12689004), que conclui que a terapia com células-tronco oferece uma estratégia dupla, combinando regeneração das células beta produtoras de insulina com regulação das respostas imunológicas. Embora uma cura definitiva permaneça uma meta futura, a direção da pesquisa é a mais promissora de sempre.
Seção 08
Instituições e Recursos de Referência no Brasil
Se você vive com diabetes no Brasil, ou está preocupado com o risco de desenvolvê-la, as seguintes organizações e serviços são os principais pontos de referência para cuidados clínicos, educação e apoio.
Ministério da Saúde — PCDT e Vigitel
O Ministério da Saúde é a referência nacional para a política e as diretrizes clínicas de diabetes no Brasil. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Diabetes Mellitus Tipo 2, avaliado pela CONITEC, define critérios de diagnóstico, acompanhamento e opções de tratamento no SUS. A pesquisa Vigitel, realizada anualmente, é o principal instrumento de monitoramento da prevalência de diabetes e outras doenças crônicas na população brasileira. Em 2026, o Ministério lançou o programa Viva Mais Brasil, com investimento em promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas.
SBD — Sociedade Brasileira de Diabetes
A SBD é a principal sociedade científica de referência para diabetes no Brasil. Publica diretrizes clínicas atualizadas anualmente, promove educação médica continuada, produz dados epidemiológicos nacionais e atua junto ao governo para ampliar o acesso a tratamentos no SUS.
ANAD — Associação Nacional de Atenção ao Diabetes
A ANAD, certificada pela IDF como Centro de Excelência em cuidados e conhecimento sobre diabetes, realiza campanhas nacionais gratuitas de rastreio e orientação, como a Campanha Nacional Gratuita em Diabetes, que já beneficiou mais de 240 mil pessoas com exames e encaminhamentos gratuitos.
Disque Saúde 136
O Disque Saúde 136, do Ministério da Saúde, oferece orientação e informações sobre serviços do SUS. Para emergências médicas, ligue sempre para o SAMU (192).
SBEM — Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
A SBEM é a sociedade científica que reúne os especialistas em endocrinologia e diabetes no Brasil. Publica diretrizes clínicas, organiza formação médica continuada e representa o país nas redes internacionais de pesquisa em diabetes.
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Perguntas Frequentes
Segundo o Atlas Global do Diabetes 2025 da IDF, o Brasil ocupa o 6º lugar mundial em número de casos, com 16,6 milhões de pessoas vivendo com a doença. A pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde mostra que a prevalência em adultos passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. A SBD estima que o total, incluindo casos não diagnosticados, já se aproxime de 20 milhões de brasileiros.
Os sinais mais comuns incluem sede excessiva, urinar com frequência (especialmente à noite), cansaço persistente, visão turva, cicatrização lenta de feridas, fome constante mesmo depois de comer, e formigamento ou dormência nas mãos e pés. A diabetes tipo 2 pode se desenvolver de forma lenta e silenciosa — segundo a IDF, cerca de 1 em cada 3 pessoas com diabetes no Brasil não sabe que tem a doença. Se você tem fatores de risco, converse com seu médico sobre a realização de uma glicemia em jejum ou HbA1c mesmo na ausência de sintomas.
A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o sistema imunológico destrói as células beta produtoras de insulina no pâncreas, exigindo insulinoterapia para toda a vida e se apresentando geralmente na infância ou na idade adulta jovem. A diabetes tipo 2 ocorre quando o organismo se torna resistente à insulina ou não produz insulina suficiente — está fortemente associada a fatores de estilo de vida como alimentação, sedentarismo e excesso de peso, e representa mais de 90% dos casos no Brasil. As duas condições têm causas, tratamentos e evoluções clínicas diferentes, embora ambas exijam manejo cuidadoso para evitar complicações.
O tratamento de primeira linha inclui normalmente a metformina associada a modificações do estilo de vida. As classes de medicamentos mais recentes — em particular os agonistas GLP-1 (como a semaglutida/Ozempic) e os inibidores SGLT2 (como a empagliflozina/Jardiance) — revolucionaram o tratamento por reduzirem a glicemia e simultaneamente protegerem o coração e os rins e promoverem a perda de peso. O PCDT do Ministério da Saúde e as diretrizes da SBD e da ADA 2025 recomendam essas classes em pacientes com doença cardiovascular estabelecida, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica. O tratamento é sempre individualizado — seu médico irá adequá-lo ao seu perfil específico.
Se você tem diabetes diagnosticada, deve realizar pelo menos uma consulta anual estruturada — que inclui avaliação de HbA1c, pressão arterial, função renal, colesterol, peso, exame dos pés e exame de fundo de olho. Medições mais frequentes de HbA1c (a cada 3 a 6 meses) são recomendadas se o controle glicêmico não estiver adequado ou se a terapia tiver sido alterada recentemente. Diferentemente de outros países, o Brasil ainda não tem um programa nacional unificado de rastreio de retinopatia, então vale a pena agendar seu exame de retina diretamente com um oftalmologista ou pela Atenção Primária do SUS.
A diabetes tipo 2 pode, em alguns casos, entrar em remissão — definida como a obtenção de valores de glicemia próximos do normal sem medicação — por meio de perda de peso significativa, frequentemente com dietas de baixíssimo aporte calórico ou cirurgia bariátrica. O estudo DiRECT demonstrou remissão em cerca de 50% dos participantes após um ano com um programa dietético estruturado. Isso não significa que a tendência subjacente seja eliminada — a remissão exige mudanças sustentadas no estilo de vida para se manter. A diabetes tipo 1 não tem cura atualmente, embora as terapias com células-tronco em ensaios clínicos prometam restaurar a produção de insulina nos próximos anos.
Sim. A Global Health oferece consultas de clínica geral online com médicos registrados no CRM — incluindo consultas de revisão da diabetes, avaliação de sintomas, revisão de medicação e pedido de exames (incluindo HbA1c, glicemia em jejum e painel metabólico completo). A prescrição digital é emitida em conformidade com as normas do CFM, aceita diretamente em farmácias de todo o Brasil, quando clinicamente indicado. Agende sua consulta em myglobalhealth.online ou entre em contato pelo e-mail globalhealth@myglobalhealth.online.
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