Para quem é esse serviço
Esta consulta de saúde sexual com clínico geral é indicada para adultos que:
- Querem fazer rastreamento de IST — HIV, sífilis, hepatite B e C, clamídia, gonorreia — de forma privada e sem deslocamento
- Tiveram relação sexual de risco e querem saber quais exames fazer e quando
- Tiveram exposição de risco ao HIV e querem avaliar a necessidade de PEP (profilaxia pós-exposição) — dentro da janela de 72 horas
- Querem iniciar PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV) ou já estão em PrEP e precisam de acompanhamento
- Têm sintomas que podem ser de IST — corrimento, feridas genitais, ardência ao urinar, erupção cutânea generalizada
- Receberam diagnóstico de IST e querem orientação sobre tratamento e como comunicar ao parceiro
- Querem orientação sobre anticoncepção e prevenção combinada
- São parceiros de pessoas com IST diagnosticada — e precisam de avaliação e tratamento
- Querem rastreamento de rotina de IST como parte do cuidado preventivo de saúde sexual
- São estrangeiros ou expats no Brasil — atendimento em inglês, português e espanhol
IST no Brasil — o contexto epidemiológico
Os números são inequívocos e urgentes:
Sífilis: Em 2024, o Brasil registou 256.830 casos de sífilis adquirida — taxa de 120,8 por 100.000 habitantes, o maior índice da série histórica. Entre 2010 e 2024, mais de 1,5 milhão de casos acumulados. A sífilis congênita — transmitida da mãe para o bebê durante a gravidez — continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública do país, com 24.443 casos e 183 óbitos em 2024.
HIV: O Brasil tem aproximadamente 1 milhão de pessoas vivendo com HIV. Cerca de 40 mil novas infecções são diagnosticadas por ano. O acesso ao tratamento pelo SUS é universal e gratuito — mas o diagnóstico tardio é um problema significativo.
Hepatites B e C: Entre 2000 e 2022, 750.651 casos de hepatites virais foram confirmados no Brasil. As hepatites B e C são transmitidas sexualmente e evoluem de forma silenciosa — muitas pessoas não sabem que estão infectadas.
Clamídia e gonorreia: São as ISTs bacterianas mais comuns no Brasil e em todo o mundo — frequentemente assintomáticas, especialmente em mulheres, e responsáveis por complicações graves como doença inflamatória pélvica e infertilidade quando não tratadas.
Por que o diagnóstico é tão difícil no Brasil: o estigma associado às ISTs — especialmente ao HIV e à sífilis — é uma das principais barreiras ao diagnóstico e ao tratamento no Brasil. Muitas pessoas evitam se testar por medo do resultado, por vergonha de ir a uma unidade de saúde, ou por receio de julgamento por parte dos profissionais de saúde.
A teleconsulta remove essas barreiras.
O que está incluído na consulta
Avaliação de risco e histórico de saúde sexual
O médico realiza uma avaliação completa e sem julgamento do histórico de saúde sexual — incluindo práticas sexuais, uso de preservativo, número de parceiros, histórico de IST anteriores, vacinação para hepatite B e HPV, e sintomas actuais. A confidencialidade é total.
Pedido de painel de IST personalizado
Com base na avaliação de risco, o médico solicita os exames mais adequados para o perfil individual — evitando exames desnecessários e garantindo que os mais importantes são incluídos. Os exames são realizados em laboratórios particulares de escolha do paciente em todo o Brasil.
Avaliação de sintomas de IST
Para pacientes com sintomas — corrimento, feridas genitais, ardência ao urinar, erupção cutânea — o médico avalia as possibilidades diagnósticas mais prováveis e orienta sobre o próximo passo, incluindo tratamento empírico quando clinicamente indicado antes dos resultados dos exames.
Avaliação de PEP — profilaxia pós-exposição ao HIV
Para pacientes que tiveram exposição de risco ao HIV nas últimas 72 horas — relação sexual sem preservativo com parceiro de status sorológico desconhecido ou positivo, acidente com material biológico, violência sexual — o médico avalia a indicação de PEP e orienta sobre onde obtê-la com urgência. A PEP deve ser iniciada o mais rapidamente possível após a exposição de risco — e no máximo dentro de 72 horas. Quanto mais cedo iniciada, maior a eficácia. Não espere — se teve exposição de risco ao HIV, agende a teleconsulta imediatamente ou vá ao serviço de urgência mais próximo.
Avaliação e início de PrEP — profilaxia pré-exposição ao HIV
Para pessoas com risco aumentado de exposição ao HIV — profissionais do sexo, HSH (homens que fazem sexo com homens) sem uso consistente de preservativo, parceiros sorodiscordantes — o médico avalia a indicação de PrEP e orienta sobre como aceder ao medicamento. A PrEP está disponível gratuitamente pelo SUS para pessoas elegíveis.
Orientação sobre tratamento — a critério médico
Para ISTs diagnosticadas ou com alta suspeita clínica, o médico orienta sobre o tratamento adequado e emite receituário eletrônico quando clinicamente indicado. A sífilis, por exemplo, é tratada com penicilina benzatina — que requer administração intramuscular presencial — e o médico orienta sobre onde realizar a injeção.
Orientação sobre comunicação ao parceiro
Quando uma IST é diagnosticada, o parceiro ou parceiros sexuais também precisam ser avaliados e tratados — mesmo que não tenham sintomas. O médico orienta sobre como abordar essa conversa e sobre os recursos disponíveis para notificação de parceiros.
Encaminhamento para serviço especializado — quando indicado
Para HIV, hepatites crónicas, e outras ISTs que requerem acompanhamento especializado, o médico encaminha com a documentação clínica completa — incluindo para os serviços do SUS quando o paciente opta pelo acompanhamento público gratuito.
Painel de IST — quais exames solicitar
O médico personaliza o painel de exames com base no perfil de risco individual. Como referência geral:
Painel básico de rastreamento de IST:
- HIV (teste de anticorpos e antígeno p24 — "combo")
- Sífilis (VDRL e FTA-ABS ou TPHA)
- Hepatite B (HBsAg, Anti-HBs, Anti-HBc total)
- Hepatite C (Anti-HCV)
- Clamídia e gonorreia — PCR em urina ou swab (dependendo das práticas sexuais)
Exames adicionais conforme perfil de risco:
- Herpes simples (HSV-1 e HSV-2) — sorologia
- HPV — o rastreamento de HPV em mulheres é feito com o citopatológico cervical (papanicolau), que requer presencialidade com ginecologista
- Hepatite A — sorologia quando indicado
- Tricomoníase — quando há sintomas compatíveis
Janela imunológica — o que é e por que importa:
Cada IST tem um período após a exposição durante o qual os exames podem ser negativos mesmo com infecção activa — a chamada janela imunológica. O médico orienta sobre quando repetir os exames para garantir resultados confiáveis.
- HIV (teste combo 4ª geração) — janela imunológica aproximada de 18-45 dias
- Sífilis — janela imunológica aproximada de 3-6 semanas
- Hepatite B — janela imunológica aproximada de 6 semanas a 6 meses
- Hepatite C — janela imunológica aproximada de 8-12 semanas
- Clamídia/Gonorreia (PCR) — janela imunológica aproximada de 1-2 semanas
PrEP e PEP no Brasil
PrEP — Profilaxia Pré-Exposição
A PrEP é um medicamento (tenofovir + emtricitabina) que, quando tomado diariamente de forma consistente, reduz o risco de infecção pelo HIV em mais de 99% em pessoas com risco aumentado de exposição. No Brasil, a PrEP está disponível gratuitamente pelo SUS para pessoas elegíveis — incluindo HSH, profissionais do sexo, pessoas trans, e parceiros de pessoas vivendo com HIV. O acompanhamento da PrEP requer consultas regulares com exames de controle a cada 3 meses. O médico avalia durante a consulta se você é candidato à PrEP e orienta sobre como acessar o medicamento pelo SUS ou pela rede privada.
PEP — Profilaxia Pós-Exposição
A PEP é um medicamento antirretroviral que, quando iniciado dentro de 72 horas após uma exposição de risco ao HIV, reduz significativamente o risco de infecção. Quanto mais cedo iniciada, mais eficaz. No Brasil, a PEP está disponível gratuitamente nas Unidades de Saúde, Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), prontos-socorros e UPAs. O médico avalia a indicação e orienta sobre onde obtê-la com urgência — incluindo fora do horário comercial. Se teve exposição de risco ao HIV há menos de 72 horas — não espere pela teleconsulta se não conseguir horário imediato. Vá ao pronto-socorro ou UPA mais próximo e solicite a PEP.
Sífilis no Brasil — o que precisa saber
A sífilis é tratável — mas frequentemente não é diagnosticada porque pode ser assintomática ou apresentar sintomas que desaparecem espontaneamente, dando a falsa impressão de cura.
Como se manifesta:
- Fase primária — cancro duro, ferida indolor no local de entrada da bactéria, que desaparece em 3-6 semanas sem tratamento — mas a infecção continua activa
- Fase secundária — erupção cutânea generalizada, manchas nas palmas das mãos e plantas dos pés, lesões na boca. Também desaparece sem tratamento
- Fase latente — sem sintomas, mas infecção activa. Pode durar anos
- Fase terciária — complicações graves em coração, cérebro e outros órgãos — evitável com tratamento nas fases anteriores
Tratamento:
A sífilis é tratada com penicilina benzatina — antibiótico de baixo custo e alta eficácia. A injeção intramuscular requer presencialidade numa unidade de saúde — o médico emite a prescrição e orienta onde realizar. O tratamento é gratuito no SUS.
Sífilis na gravidez:
A sífilis em gestantes requer tratamento urgente para evitar a transmissão ao bebê — sífilis congênita. O Brasil registou 24.443 casos de sífilis congênita em 2024 — uma tragédia de saúde pública inteiramente prevenível com diagnóstico e tratamento adequado durante o pré-natal.
Confidencialidade e saúde sexual
A confidencialidade é um dos pilares do atendimento em saúde sexual. Tudo o que você compartilha durante a consulta é protegido pelo sigilo médico e pela LGPD (Lei 13.709/2018).
Existem situações específicas em que o sigilo pode ser ponderado — quando há risco grave para a saúde de terceiros. No contexto de saúde sexual, isso é raro — a orientação sobre comunicação ao parceiro é sempre feita de forma a apoiar o paciente, não a impor.
Os dados de saúde têm protecção reforçada como categoria especial de dados sob a LGPD.



