Estima-se que mais de 1,3 milhões de romenos vivam com diabetes — e milhares de outros casos continuam por diagnosticar. Este guia aborda tudo o que precisa de saber: causas, sinais de alerta, os melhores tratamentos atualmente disponíveis, a importância dos controlos regulares e as terapias emergentes que poderão transformar os cuidados da diabetes nos próximos anos.
A diabetes mellitus é uma das doenças crónicas mais comuns na Roménia — e, ao mesmo tempo, uma das mais subestimadas. É frequentemente chamada «doença silenciosa», porque a diabetes tipo 2, que representa mais de 90% dos casos, pode desenvolver-se lentamente, ao longo de vários anos, sem sintomas visíveis. Quando é feito o diagnóstico, a doença já está muitas vezes presente há algum tempo.
A boa notícia é que a diabetes pode ser muito bem controlada. Com o diagnóstico correto, o tratamento adequado e uma vigilância regular, as pessoas com diabetes podem ter uma vida plena e saudável. E, graças aos notáveis avanços terapêuticos da última década — sobretudo o aparecimento dos agonistas dos recetores GLP-1 e dos inibidores SGLT2 —, as opções clínicas hoje disponíveis na Roménia são as melhores de sempre.
Secção 01
Diabetes na Roménia: compreender a dimensão do problema
Segundo o estudo epidemiológico PREDATORR, realizado pela Societatea Română de Diabet, Nutriție și Boli Metabolice (SRDNBM) entre 2012 e 2014 — o único estudo nacional sobre a prevalência da diabetes na Roménia —, aproximadamente 11,6% da população adulta tem diabetes mellitus e 16,5% encontra-se numa fase de pré-diabetes. Segundo dados do Institutul Național de Sănătate Publică (INSP), havia 1 485 087 pessoas registadas nos processos clínicos em 2024, das quais 114 904 foram diagnosticadas nesse mesmo ano. As estimativas da Federação Internacional de Diabetes (IDF) apontam para cerca de 1,3 milhões de adultos entre os 20 e os 79 anos com diabetes na Roménia em 2024, uma prevalência comparável à média europeia.
Fontes: Societatea Română de Diabet, Nutriție și Boli Metabolice — estudo PREDATORR; Institutul Național de Sănătate Publică (INSP); Casa Națională de Asigurări de Sănătate (CNAS); International Diabetes Federation — Diabetes Atlas 2024.
Segundo dados da Casa Națională de Asigurări de Sănătate (CNAS), apenas cerca de 1,3 milhões de doentes com diabetes recebem tratamento através do Programa Nacional de Diabetes Mellitus — pouco mais de metade do total de casos estimados. A diferença corresponde a pessoas que não fazem tratamento farmacológico ou a casos ainda não diagnosticados, confirmando a tendência observada a nível mundial. Uma particularidade do sistema romeno, salientada pela SRDNBM, é que os cuidados das pessoas com diabetes são assegurados exclusivamente por médicos especialistas em diabetes, nutrição e doenças metabólicas — uma especialidade autónoma existente em poucos países do mundo.
Secção 02
Tipos de diabetes
Nem todos os tipos de diabetes são iguais. Compreender o tipo que tem — ou para o qual apresenta risco — é o primeiro passo para uma gestão eficaz.
Secção 03
Causas e fatores de risco
Diabetes tipo 1
A causa exata da diabetes tipo 1 ainda não está totalmente esclarecida. É uma doença autoimune — o sistema imunitário ataca e destrói por engano as células beta do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Os fatores genéticos têm influência, tal como a possível exposição a determinadas infeções virais. Na Roménia, a investigação nesta área é coordenada por institutos como o Institutul Național de Diabet, Nutriție și Boli Metabolice «N.C. Paulescu», em Bucareste, juntamente com sociedades científicas como a SRDNBM.
Diabetes tipo 2
A diabetes tipo 2 tem um conjunto de causas mais complexo e modificável, que combina predisposição genética com fatores do estilo de vida e ambientais. O mecanismo central é a resistência à insulina — as células do organismo deixam de responder eficazmente à insulina —, associada a uma redução progressiva da capacidade do pâncreas para compensar através de uma produção maior.
Secção 04
Sinais e sintomas
Os sintomas variam consideravelmente entre a diabetes tipo 1 e a tipo 2. A tipo 1 manifesta-se muitas vezes de forma aguda — com um início rápido de sintomas que pode indicar cetoacidose diabética (CAD), uma emergência médica. Pelo contrário, a tipo 2 desenvolve-se habitualmente de modo lento e silencioso, durante vários anos, com sintomas tão ligeiros ou graduais que muitas pessoas os atribuem ao envelhecimento, ao stresse ou ao cansaço.
Secção 05
Tratamentos atuais da diabetes na Roménia
O tratamento da diabetes passou por uma verdadeira revolução na última década. Na Roménia, a Societatea Română de Diabet, Nutriție și Boli Metabolice (SRDNBM) define as orientações clínicas de referência, alinhadas com as recomendações internacionais da American Diabetes Association (ADA). O acesso aos medicamentos e as condições de comparticipação são regulados pelo Programa Nacional de Diabetes Mellitus, administrado pela Casa Națională de Asigurări de Sănătate (CNAS).
Alterar o estilo de vida — a base de qualquer tratamento
Tanto na diabetes tipo 1 como na tipo 2, o estilo de vida é a base da gestão da doença. Sobretudo na tipo 2, alterar a alimentação e aumentar a atividade física podem reduzir significativamente a HbA1c, melhorar a sensibilidade à insulina e, em alguns casos — especialmente após cirurgia bariátrica ou dietas de muito baixo valor calórico —, conduzir a uma remissão duradoura. Os programas de educação estruturada realizados nas consultas de diabetologia oferecem apoio com eficácia comprovada para gerir o estilo de vida.
Tratamento farmacológico
Apresentam-se abaixo as principais classes de medicamentos disponíveis na Roménia. As decisões terapêuticas são individualizadas — as orientações da SRDNBM e da ADA de 2025 salientam uma abordagem centrada no doente, que considera o risco cardiovascular, a função renal, o peso e as preferências pessoais.
Secção 06
Importância dos controlos regulares
A diabetes é uma doença crónica que evolui ao longo do tempo e as suas complicações — se não forem detetadas — podem ser graves e irreversíveis. A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira nos adultos em idade ativa na Roménia. A nefropatia diabética é um importante fator de doença renal crónica terminal. A neuropatia periférica provoca complicações do pé diabético que, nos casos graves, podem levar à amputação.
Décadas de investigação demonstram que todas estas complicações podem ser, em grande medida, prevenidas — ou significativamente adiadas — através de um bom controlo glicémico, da gestão da tensão arterial e de vigilância regular. A revisão anual estruturada da pessoa com diabetes é uma das intervenções mais bem fundamentadas e eficazes de toda a medicina.
O que deve incluir a revisão anual da diabetes
- Medição da HbA1c (média da glicemia dos últimos 3 meses)
- Medição da tensão arterial e revisão do tratamento anti-hipertensor
- Função renal — taxa de filtração glomerular estimada (eGFR) e rácio albumina/creatinina urinário
- Colesterol e perfil lipídico completo
- Avaliação do peso e do índice de massa corporal (IMC)
- Exame dos pés — incluindo avaliação dos pulsos e da sensibilidade
- Rastreio da retinopatia diabética — exame do fundo ocular ou retinografia
- Revisão e ajuste da medicação, se necessário
- Avaliação da adesão ao plano de autogestão da diabetes
- Avaliação do consumo de tabaco e apoio à cessação, se aplicável
- Vacinação contra a gripe (fortemente recomendada às pessoas com diabetes)
Rastreio para pessoas sem diagnóstico
Se tem fatores de risco para a diabetes tipo 2 e nunca fez testes, o médico de família pode pedir uma glicemia em jejum ou uma HbA1c — análises simples, disponíveis em laboratórios de todo o país. Isto é especialmente importante se tiver mais de 45 anos, antecedentes familiares de diabetes, tensão arterial elevada ou excesso de peso durante a gravidez. A deteção precoce da pré-diabetes proporciona uma verdadeira oportunidade para prevenir ou atrasar o aparecimento da diabetes tipo 2 através de mudanças no estilo de vida.
Secção 07
O futuro do tratamento da diabetes
O ritmo da inovação na medicina da diabetes não tem precedentes. Várias linhas de investigação — algumas já em ensaios clínicos avançados — têm potencial para transformar profundamente o que significa viver com diabetes na próxima década.
A investigação sobre a terapia com células estaminais para a diabetes tipo 1 é analisada em pormenor numa publicação de 2025 na PMC (PMID: PMC12689004), que conclui que «a terapia com células estaminais oferece uma estratégia dupla: regenerar as células beta produtoras de insulina e regular as respostas imunitárias». Embora um tratamento definitivo continue a ser um objetivo futuro, o rumo da investigação é mais promissor do que nunca.
Secção 08
Instituições e recursos de referência na Roménia
Se vive com diabetes na Roménia, ou se está preocupado com o risco de a desenvolver, as organizações e os serviços seguintes são os seus principais pontos de referência para cuidados clínicos, educação e apoio.
Societatea Română de Diabet, Nutriție și Boli Metabolice (SRDNBM)
SRDNBM é a autoridade científica de referência para todos os aspetos dos cuidados da diabetes na Roménia. É responsável pelo estudo epidemiológico PREDATORR — o maior estudo de prevalência da diabetes realizado na Roménia — e publica todos os anos comunicados e materiais de sensibilização por ocasião do Dia Mundial da Diabetes, a 14 de novembro.
CNAS e Programa Nacional de Diabetes Mellitus
Casa Națională de Asigurări de Sănătate administra o Programa Nacional de Diabetes Mellitus, através do qual são comparticipados medicamentos e dispositivos médicos para as pessoas diagnosticadas. Os dados da CNAS, cruzados com os do Instituto Nacional de Estatística, são utilizados para acompanhar a evolução da doença a nível nacional.
Institutul Național de Sănătate Publică (INSP)
INSP, através do Centrul Național de Statistică și Informatică în Sănătate Publică, publica todos os anos dados epidemiológicos pormenorizados sobre a prevalência e a incidência da diabetes por distrito, essenciais para planear as políticas de saúde pública.
Institutul Național de Diabet, Nutriție și Boli Metabolice «N.C. Paulescu»
Institutul „N.C. Paulescu”, em Bucareste, é o principal centro de referência para o diagnóstico, tratamento e investigação da diabetes e das doenças metabólicas na Roménia, oferecendo também programas de educação terapêutica aos doentes.
Secção 09
Perguntas frequentes
Quantos romenos têm diabetes?
Segundo o estudo PREDATORR (SRDNBM), cerca de 11,6% da população adulta da Roménia tem diabetes mellitus e 16,5% encontra-se numa fase de pré-diabetes. O INSP registou 1 485 087 pessoas nos processos clínicos em 2024, das quais 114 904 foram diagnosticadas nesse mesmo ano. A IDF estima cerca de 1,3 milhões de adultos com diabetes em 2024, um valor comparável à média europeia.
Quais são os primeiros sinais da diabetes?
Os sinais mais frequentes incluem sede excessiva, micção frequente (sobretudo à noite), cansaço persistente, visão turva, cicatrização lenta das feridas, fome constante mesmo depois de comer, bem como formigueiro ou dormência nas mãos e nos pés. A diabetes tipo 2 pode desenvolver-se lenta e silenciosamente — muitas pessoas não apresentam sintomas durante anos antes do diagnóstico. Se tem fatores de risco, fale com o médico de família sobre uma glicemia em jejum ou uma HbA1c, mesmo que não tenha sintomas.
Qual é a diferença entre a diabetes tipo 1 e a tipo 2?
A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune na qual o sistema imunitário destrói as células beta do pâncreas produtoras de insulina, exigindo insulinoterapia durante toda a vida e surgindo geralmente na infância ou no início da idade adulta. A diabetes tipo 2 surge quando o organismo se torna resistente à insulina ou não produz uma quantidade suficiente — está fortemente associada a fatores do estilo de vida, como a alimentação, o sedentarismo e o excesso de peso, e representa mais de 90% dos casos na Roménia. As duas formas têm causas, tratamentos e evoluções clínicas diferentes, mas exigem uma gestão cuidadosa para prevenir complicações.
Quais são os melhores tratamentos para a diabetes tipo 2 na Roménia?
O tratamento de primeira linha inclui geralmente metformina, juntamente com mudanças no estilo de vida. As classes mais recentes de medicamentos — agonistas dos recetores GLP-1 (semaglutida/Ozempic) e inibidores SGLT2 (empagliflozina/Jardiance, dapagliflozina/Forxiga) — revolucionaram o tratamento, reduzindo a glicemia e protegendo simultaneamente o coração e os rins. As orientações da ADA de 2025 recomendam estas classes aos doentes com doença cardiovascular estabelecida, insuficiência cardíaca ou doença renal crónica. O tratamento é sempre individualizado em função do perfil do doente.
Com que frequência devo ser acompanhado se tiver diabetes na Roménia?
Se tem diabetes diagnosticada, deve realizar pelo menos uma revisão anual estruturada com o médico de família ou diabetologista — incluindo HbA1c, tensão arterial, função renal, colesterol, peso, exame dos pés e rastreio da retinopatia diabética. Recomendam-se medições mais frequentes da HbA1c (a cada 3–6 meses) se a glicemia não estiver bem controlada ou se o tratamento tiver sido alterado recentemente.
A diabetes pode entrar em remissão?
Em alguns casos, a diabetes tipo 2 pode entrar em remissão — definida como a obtenção de valores de glicemia próximos do normal sem medicação — através de uma perda de peso significativa, muitas vezes após cirurgia bariátrica ou dietas de muito baixo valor calórico. O estudo de referência DiRECT demonstrou remissão em cerca de 50% dos participantes após um ano de um programa alimentar estruturado. Isto não significa que a predisposição subjacente tenha desaparecido — para se manter, a remissão exige mudanças sustentadas no estilo de vida. Atualmente, a diabetes tipo 1 não tem cura, embora as terapias com células estaminais em ensaios clínicos procurem restaurar a produção de insulina nos próximos anos.
Posso consultar um médico online sobre diabetes na Roménia?
Sim. A Global Health oferece consultas online de medicina geral com médicos registados — incluindo consultas de avaliação da diabetes, avaliação de sintomas, revisão da medicação e pedidos de análises (incluindo HbA1c, glicemia em jejum e painel metabólico completo). Marque uma consulta em myglobalhealth.online ou escreva para globalhealth@myglobalhealth.online.
Tem dúvidas sobre diabetes? Fale hoje com um médico.
Consultas online de medicina geral com médicos registados. Disponíveis em romeno, inglês, português, árabe e outros idiomas.



