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Endocrinologia

Diabetes a Doença Silenciosa

O Brasil já ocupa o 6º lugar mundial em casos de diabetes, com 16,6 milhões de pessoas afetadas — muitas ainda sem diagnóstico. Veja os sinais de alerta, os tratamentos mais eficazes disponíveis hoje e o que esperar do futuro dos cuidados.

Dr Tiago Miguel Figueira20 de julho de 202623 min de leituraLast reviewed 21 de julho de 2026Revisado clinicamente por Dr. Renato Sarmento
Doença Crônica · Brasil · Publicado em Junho de 2026

Causas, Sintomas, Tratamentos e o Futuro dos Cuidados

O Brasil já ocupa o 6º lugar mundial em número de casos de diabetes, com 16,6 milhões de pessoas vivendo com a doença — e muitas ainda sem diagnóstico. Este guia aborda tudo o que você precisa saber: causas, sinais de alerta, os melhores tratamentos disponíveis hoje, a importância das consultas regulares, e as terapias emergentes que podem transformar os cuidados com a diabetes nos próximos anos.

— Baseado em evidências— Alinhado com o Ministério da Saúde e a SBD— Atualizado em Junho de 2026

Seção 01

A Diabetes no Brasil: Entendendo a Dimensão do Problema

De acordo com o Ministério da Saúde, a pesquisa Vigitel mostrou que a prevalência de diabetes em adultos brasileiros passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024 — um crescimento de 135% em quase duas décadas, motivando o lançamento em 2026 do programa Viva Mais Brasil, com investimento previsto de R$ 1,5 bilhão no enfrentamento conjunto de diabetes e hipertensão. O Atlas Global do Diabetes 2025, publicado pela International Diabetes Federation (IDF), revelou que o Brasil ocupa o 6º lugar mundial em número de casos, com 16,6 milhões de pessoas vivendo com a doença — um aumento de 5,7% em apenas quatro anos. A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estima que o total no país, incluindo casos não diagnosticados, já se aproxime de 20 milhões de pessoas.

16,6M
Pessoas com diabetes no Brasil, 6º lugar mundial (Atlas IDF 2025)
~20M
Estimativa total incluindo casos não diagnosticados (SBD)
18%
Prevalência estimada de diabetes gestacional no Brasil (SBD)

Fontes: Ministério da Saúde — Vigitel 2025; International Diabetes Federation — Atlas Global do Diabetes 2025; Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Segundo a IDF, o diabetes já é responsável por mais de 111 mil mortes por ano no Brasil — cerca de 20 vezes o número de óbitos por dengue no mesmo período — e figura, de acordo com a SBD, como a principal causa de amputação não traumática de membros inferiores no país, com mais de 10 mil amputações registradas anualmente pelo SUS, uma média superior a 28 por dia.

Está em risco e não sabe? Segundo a IDF, cerca de 1 em cada 3 pessoas com diabetes no Brasil permanece sem diagnóstico. Se você tem fatores de risco — histórico familiar, excesso de peso, pressão alta ou sedentarismo — converse com seu médico sobre a realização de uma glicemia em jejum ou de uma HbA1c. O diagnóstico precoce é determinante para evitar complicações.

Seção 02

Tipos de Diabetes

Nem toda diabetes é igual. Entender o tipo que você tem — ou para o qual está em risco — é o primeiro passo para um manejo eficaz.

Diabetes Tipo 1
Autoimune · Insulinodependente
O sistema imunológico destrói as células beta produtoras de insulina no pâncreas. O organismo produz pouca ou nenhuma insulina. Requer insulinoterapia para toda a vida. Costuma se desenvolver na infância ou na idade adulta jovem. A SBD estima que cerca de 600 mil brasileiros vivam com diabetes tipo 1.
Diabetes Tipo 2
Estilo de vida & genética · Progressiva
O organismo se torna resistente à insulina ou não produz insulina suficiente. Fortemente associada a fatores de estilo de vida. É a forma mais comum no Brasil, responsável por mais de 90% dos casos. Pode ser inicialmente controlada com alimentação, exercício e medicação oral, embora muitos pacientes venham a precisar de insulina.
Diabetes Gestacional
Relacionada à gravidez · Geralmente transitória
Se desenvolve durante a gravidez quando as alterações hormonais comprometem a função da insulina. Geralmente se resolve após o parto, mas aumenta significativamente o risco vitalício de diabetes tipo 2 para a mãe e para a criança. A SBD estima uma prevalência de cerca de 18% das gestações no Brasil, variando conforme a região e os critérios diagnósticos utilizados.
Pré-diabetes
Prevenível · Frequentemente reversível
A glicemia está acima do normal, mas ainda não atingiu os níveis da diabetes. Uma janela de intervenção crítica — mudanças no estilo de vida nesta fase podem prevenir ou adiar significativamente o surgimento da diabetes tipo 2. É uma prioridade crescente na Atenção Primária à Saúde do SUS.

Seção 03

Causas e Fatores de Risco

Diabetes Tipo 1

A causa exata da diabetes tipo 1 permanece incompletamente compreendida. É uma doença autoimune — o sistema imunológico do organismo ataca e destrói erroneamente as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Fatores genéticos desempenham um papel, assim como, possivelmente, a exposição a determinadas infecções virais. No Brasil, a investigação nesta área é desenvolvida por centros como a SBD — Sociedade Brasileira de Diabetes e por grupos de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Diabetes Tipo 2

A diabetes tipo 2 tem um conjunto de causas mais complexo e modificável, combinando predisposição genética com fatores de estilo de vida e ambientais. O mecanismo central é a resistência à insulina — em que as células do organismo deixam de responder eficazmente à insulina — associada a um declínio progressivo na capacidade do pâncreas de compensar com maior produção.

Excesso de peso corporal Em particular a gordura abdominal (visceral). A obesidade é o fator de risco modificável mais importante para a diabetes tipo 2 — e cresceu 118% no Brasil entre 2006 e 2024, segundo o Vigitel.
Sedentarismo O comportamento sedentário reduz a sensibilidade à insulina. O exercício regular é uma das ferramentas preventivas e terapêuticas mais eficazes.
Dieta rica em alimentos processados O consumo elevado de carboidratos refinados, açúcar e alimentos ultraprocessados está fortemente associado à resistência à insulina.
Histórico familiar Ter um parente de primeiro grau com diabetes tipo 2 aumenta significativamente o risco pessoal.
Idade acima de 45 anos O risco aumenta com a idade. Os dados do Vigitel e do Ministério da Saúde mostram prevalência crescente em faixas etárias mais avançadas.
Pressão alta ou colesterol elevado Os fatores de risco metabólico tendem a coexistir. A hipertensão e a dislipidemia ocorrem frequentemente junto com a resistência à insulina.
Diabetes gestacional prévia Mulheres que desenvolveram diabetes gestacional têm um risco vitalício substancialmente mais elevado de desenvolver diabetes tipo 2.
Ascendência e histórico populacional Pessoas de ascendência sul-asiática, africana e indígena apresentam, em diversos estudos, taxas mais elevadas de diabetes tipo 2 para limiares de IMC mais baixos.

Seção 04

Sinais e Sintomas

Os sintomas variam consideravelmente entre a diabetes tipo 1 e a tipo 2. A tipo 1 costuma se apresentar de forma aguda — com surgimento rápido de sintomas que podem indicar cetoacidose diabética (CAD), uma emergência médica. A tipo 2, ao contrário, se desenvolve tipicamente de forma lenta e silenciosa ao longo de anos, com sintomas tão sutis ou graduais que muitas pessoas os atribuem ao envelhecimento, ao estresse ou ao cansaço do dia a dia.

Sede excessiva Sede persistente e incontrolável — polidipsia — enquanto os rins trabalham para filtrar o excesso de glicose.
Urinar com frequência Poliúria, especialmente à noite (noctúria). Frequentemente o sintoma inicial mais incômodo.
Cansaço persistente Fadiga constante mesmo após descanso adequado, causada pela privação de glicose nas células.
Perda de peso inexplicada Sobretudo na tipo 1 — o organismo degrada gordura e músculo para obter energia na ausência de insulina.
Visão turva A glicemia elevada provoca alterações no cristalino do olho, afetando temporariamente o foco visual.
Cicatrização lenta de feridas A circulação comprometida e a disfunção imunológica retardam a cicatrização de cortes, feridas e infecções.
Formigamento ou dormência A neuropatia periférica — que afeta mãos e pés — pode ser um sinal precoce, em particular na tipo 2.
Fome constante Polifagia — fome persistente mesmo após comer — ocorre quando as células não conseguem absorver glicose de forma eficaz.
Quando procurar atendimento de urgência: Se você ou um familiar apresentar surgimento súbito de sede intensa, urinar em excesso, vômitos, dor abdominal, confusão ou hálito com cheiro de acetona — especialmente em uma criança ou adulto jovem — pode se tratar de cetoacidose diabética (CAD), uma emergência médica. Ligue imediatamente para o SAMU (192) ou procure a emergência hospitalar mais próxima.

Seção 05

Tratamentos Atuais para a Diabetes no Brasil

O tratamento da diabetes passou por uma verdadeira revolução na última década. No Brasil, o Ministério da Saúde define o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Diabetes Mellitus Tipo 2 — atualizado em abril de 2024 e vigente desde 2025, com avaliação da CONITEC — alinhado às recomendações internacionais da American Diabetes Association (ADA) e da European Association for the Study of Diabetes (EASD). O país também investe na produção nacional de insulina: uma parceria público-privada prevê a entrega de 20 milhões de frascos de insulina glargina para o SUS, e está em discussão a ampliação do acesso a insulinas análogas de ação prolongada para pacientes com diabetes tipo 1.

Modificação do Estilo de Vida — A Base de Todo Tratamento

Para a diabetes tipo 1 e tipo 2, o estilo de vida é o alicerce do manejo da doença. Para a tipo 2 em particular, a mudança alimentar e o aumento da atividade física podem reduzir significativamente a HbA1c, melhorar a sensibilidade à insulina e, em alguns casos — sobretudo após cirurgia bariátrica ou dietas de baixíssimo aporte calórico — levar a uma remissão sustentada. A SBD, a ANAD e as equipes de nutrição e enfermagem das Unidades Básicas de Saúde do SUS oferecem apoio estruturado para o manejo do estilo de vida em todo o país.

Tratamento Farmacológico

As seguintes classes de medicamentos estão disponíveis no Brasil. As decisões terapêuticas são individualizadas — as diretrizes do Ministério da Saúde, da SBD e da ADA 2025 reforçam uma abordagem centrada no paciente, que considera o risco cardiovascular, a função renal, o peso e as preferências individuais.

Proteção Cardiorrenal
Agonistas GLP-1
Semaglutida (Ozempic, Wegovy) · Liraglutida (Victoza)
Uma classe transformadora de medicamentos injetáveis (e agora também orais) que imitam o hormônio intestinal GLP-1. Reduzem a glicemia, promovem perda de peso significativa, diminuem o esvaziamento gástrico e reduzem o risco cardiovascular. As diretrizes ADA 2025 recomendam priorizá-los em pacientes com doença cardiovascular estabelecida ou alto risco. Disponíveis no Brasil mediante prescrição médica.
Proteção Cardiorrenal
Inibidores SGLT2
Empagliflozina (Jardiance) · Dapagliflozina (Forxiga)
Esses comprimidos reduzem a glicemia promovendo a eliminação do excesso de açúcar pela urina. Protegem de forma independente o coração e os rins — recomendados como primeira linha em pacientes com insuficiência cardíaca ou doença renal crônica, independentemente do valor de HbA1c. Sólida base de evidência dos estudos EMPA-REG OUTCOME e CREDENCE.
Controle Glicêmico
Inibidores DPP-4
Sitagliptina (Januvia) · Linagliptina (Trajenta)
Comprimidos orais que potencializam a secreção de insulina de forma dependente da glicose. Neutros em relação ao peso, com baixo risco de hipoglicemia. Frequentemente utilizados quando os agonistas GLP-1 ou os inibidores SGLT2 não são tolerados ou adequados.
Tipo 1 & Tipo 2 Avançada
Insulinoterapia
Insulinas basais, bolus, pré-misturadas · Bombas de insulina
Essencial para todos os pacientes com tipo 1 e para muitos com tipo 2. As insulinas análogas modernas oferecem perfis de ação mais previsíveis do que as formulações mais antigas. O Ministério da Saúde tem ampliado a produção nacional de insulina glargina para o SUS, e discute a inclusão de análogos de ação prolongada no protocolo para pacientes com tipo 1.
Tipo 1 · Tecnologia em Expansão
Monitorização Contínua da Glicose (MCG)
Libre · Dexcom · Medtronic
A MCG elimina a necessidade de picadas no dedo, fornece tendências de glicose em tempo real e alertas, e melhora o controle glicêmico. No Brasil, o acesso tem crescido de forma consistente, tanto por incorporação parcial ao SUS quanto pela cobertura de planos de saúde privados, embora o acesso universal ainda seja um desafio, segundo a SBD.
Atualização das diretrizes ADA 2025: As diretrizes da American Diabetes Association de 2025 reforçam que os agonistas GLP-1 e os inibidores SGLT2 devem ser priorizados em pacientes com diabetes tipo 2 que apresentem doença cardiovascular estabelecida ou de alto risco, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica — de forma independente do valor de HbA1c. Se você tem diabetes tipo 2 e alguma dessas condições, converse com seu médico sobre se essas classes terapêuticas são adequadas para você.

Seção 06

A Importância das Consultas Regulares

A diabetes é uma doença crônica que evolui ao longo do tempo, e suas complicações — se não detectadas — podem ser graves e irreversíveis. A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira evitável na população adulta brasileira. A nefropatia diabética é um dos maiores determinantes da doença renal crônica terminal. A neuropatia periférica origina complicações no pé que, nos casos mais graves, podem resultar em amputação — segundo a SBD, o diabetes já é a principal causa de amputação não traumática de membros inferiores no Brasil, com mais de 10 mil procedimentos por ano registrados pelo SUS, uma média superior a 28 por dia, e cerca de 13 milhões de pessoas com diabetes convivendo com úlceras nos pés.

Décadas de pesquisa demonstram que todas essas complicações são amplamente preveníveis — ou significativamente atrasadas — com bom controle glicêmico, manejo da pressão arterial e acompanhamento regular. A consulta anual estruturada para diabetes é uma das intervenções com melhor relação custo-benefício em toda a medicina.

O Que Deve Incluir Sua Consulta Anual de Diabetes

  • Avaliação da HbA1c (média de glicemia dos últimos 3 meses)
  • Medição da pressão arterial e revisão da terapia anti-hipertensiva
  • Função renal — taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) e relação albumina/creatinina urinária
  • Colesterol e perfil lipídico completo
  • Avaliação do peso e do IMC
  • Exame dos pés — incluindo avaliação de pulsos e sensibilidade
  • Exame de fundo de olho para rastreio de retinopatia diabética
  • Revisão e ajuste da medicação, se necessário
  • Avaliação da adesão ao plano de autocuidado da diabetes
  • Avaliação do tabagismo e apoio à cessação, se aplicável
  • Vacinação contra a gripe (fortemente recomendada para pessoas com diabetes)

Rastreio para Quem Ainda Não Tem Diagnóstico

Se você tem fatores de risco para diabetes tipo 2 e nunca foi avaliado, seu médico pode solicitar uma glicemia em jejum ou uma HbA1c — exames simples, disponíveis na rede pública e privada. Isso é especialmente importante se você tem mais de 45 anos, histórico familiar de diabetes, pressão alta ou teve excesso de peso durante a gravidez. A detecção precoce de pré-diabetes oferece uma janela real de oportunidade para prevenir ou adiar o surgimento da diabetes tipo 2 por meio de mudanças no estilo de vida.

Rastreio da Retinopatia Diabética no Brasil: Diferentemente de outros países, o Brasil ainda não conta com um programa nacional unificado de rastreio da retinopatia diabética — o tema segue em consulta pública e avaliação pela CONITEC para um novo protocolo clínico. Diversas iniciativas regionais, universidades como a UERJ e projetos de telemedicina com apoio de inteligência artificial vêm ampliando o acesso ao exame de fundo de olho na Atenção Primária. Enquanto o rastreio universal não é uma realidade, procure agendar seu exame de retina anualmente, seja pelo SUS, seja com um oftalmologista particular.

Seção 07

O Futuro do Tratamento da Diabetes

O ritmo de inovação na medicina da diabetes é sem precedentes. Diversas áreas de pesquisa — algumas já em ensaios clínicos avançados — têm o potencial de transformar fundamentalmente o que significa viver com diabetes na próxima década.

Ensaio Fase 1/2/3 · Submissão regulatória em 2026
Terapia com Células-Tronco Derivadas de Células Beta
O Zimislecel (anteriormente VX-880) da Vertex Pharmaceuticals consiste na infusão de células das ilhotas produtoras de insulina, totalmente diferenciadas a partir de células-tronco, na veia porta hepática — com o objetivo de restaurar a produção endógena de insulina na diabetes tipo 1. Em junho de 2025, o ensaio pivotal contava com 50 participantes, com submissão regulatória prevista para 2026. Uma revisão publicada em PMC (2025) descreve essa abordagem como potencialmente transformadora, por atuar simultaneamente na regeneração das células beta e na modulação imunológica.
Desenvolvimento Clínico
Pâncreas Artificial
Os sistemas de infusão automática de insulina em malha fechada — que combinam monitorização contínua da glicose com bombas de insulina automatizadas — já representam um avanço importante para pacientes com tipo 1. No Brasil, o acesso a esses Sistemas de Infusão Automática de Insulina (SAI) tem crescido, sobretudo por meio de planos de saúde privados e ações pontuais do SUS. A próxima geração desses sistemas incorpora algoritmos de aprendizado de máquina para prever as flutuações da glicose antes de ocorrerem.
Terapias Emergentes
Agonistas Duplos e Triplos dos Receptores
A tirzepatida (Mounjaro), um agonista dual GIP/GLP-1, demonstrou reduções superiores de HbA1c e perda de peso em comparação aos agonistas GLP-1 existentes e já está disponível no Brasil. Os agonistas triplos (GLP-1/GIP/glucagon) estão em ensaios clínicos avançados e podem oferecer benefícios metabólicos ainda maiores.
Pesquisa em Imunoterapia
Modulação Imunológica na Tipo 1
O teplizumabe (anticorpo monoclonal anti-CD3) demonstrou em ensaios clínicos atrasar o início clínico da diabetes tipo 1 em cerca de dois anos em indivíduos de alto risco. A pesquisa sobre inibidores de checkpoint imunológico e indução de tolerância continua, com o objetivo de preservar a função residual das células beta no momento do diagnóstico.
Medicina de Precisão
Genômica e Tratamento Guiado por IA
A caracterização genômica começa a identificar subtipos de diabetes que respondem de forma diferente a medicamentos específicos. Monitores contínuos de glicose com inteligência artificial, que aprendem os padrões metabólicos individuais e fazem recomendações personalizadas, estão em desenvolvimento — com potencial para transformar o manejo diário da diabetes.
Medicina Regenerativa
Encapsulamento de Células Beta
Uma estratégia paralela ao transplante de células-tronco envolve o encapsulamento de células produtoras de insulina em dispositivos de biomateriais protetores, que as protegem da destruição imunológica — eliminando potencialmente a necessidade de imunossupressão. O Diabetes Research Institute da Universidade de Miami demonstrou prova de conceito em ensaios clínicos, com o primeiro paciente atingindo independência de insulina.

A pesquisa sobre terapia com células-tronco para diabetes tipo 1 é analisada em detalhe em uma publicação de 2025 na PMC (PMID: PMC12689004), que conclui que a terapia com células-tronco oferece uma estratégia dupla, combinando regeneração das células beta produtoras de insulina com regulação das respostas imunológicas. Embora uma cura definitiva permaneça uma meta futura, a direção da pesquisa é a mais promissora de sempre.


Seção 08

Instituições e Recursos de Referência no Brasil

Se você vive com diabetes no Brasil, ou está preocupado com o risco de desenvolvê-la, as seguintes organizações e serviços são os principais pontos de referência para cuidados clínicos, educação e apoio.

Ministério da Saúde — PCDT e Vigitel

O Ministério da Saúde é a referência nacional para a política e as diretrizes clínicas de diabetes no Brasil. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Diabetes Mellitus Tipo 2, avaliado pela CONITEC, define critérios de diagnóstico, acompanhamento e opções de tratamento no SUS. A pesquisa Vigitel, realizada anualmente, é o principal instrumento de monitoramento da prevalência de diabetes e outras doenças crônicas na população brasileira. Em 2026, o Ministério lançou o programa Viva Mais Brasil, com investimento em promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas.

SBD — Sociedade Brasileira de Diabetes

A SBD é a principal sociedade científica de referência para diabetes no Brasil. Publica diretrizes clínicas atualizadas anualmente, promove educação médica continuada, produz dados epidemiológicos nacionais e atua junto ao governo para ampliar o acesso a tratamentos no SUS.

ANAD — Associação Nacional de Atenção ao Diabetes

A ANAD, certificada pela IDF como Centro de Excelência em cuidados e conhecimento sobre diabetes, realiza campanhas nacionais gratuitas de rastreio e orientação, como a Campanha Nacional Gratuita em Diabetes, que já beneficiou mais de 240 mil pessoas com exames e encaminhamentos gratuitos.

Disque Saúde 136

O Disque Saúde 136, do Ministério da Saúde, oferece orientação e informações sobre serviços do SUS. Para emergências médicas, ligue sempre para o SAMU (192).

SBEM — Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

A SBEM é a sociedade científica que reúne os especialistas em endocrinologia e diabetes no Brasil. Publica diretrizes clínicas, organiza formação médica continuada e representa o país nas redes internacionais de pesquisa em diabetes.


Seção 09

Perguntas Frequentes

Quantas pessoas têm diabetes no Brasil?

Segundo o Atlas Global do Diabetes 2025 da IDF, o Brasil ocupa o 6º lugar mundial em número de casos, com 16,6 milhões de pessoas vivendo com a doença. A pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde mostra que a prevalência em adultos passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. A SBD estima que o total, incluindo casos não diagnosticados, já se aproxime de 20 milhões de brasileiros.

Quais são os primeiros sinais de diabetes?

Os sinais mais comuns incluem sede excessiva, urinar com frequência (especialmente à noite), cansaço persistente, visão turva, cicatrização lenta de feridas, fome constante mesmo depois de comer, e formigamento ou dormência nas mãos e pés. A diabetes tipo 2 pode se desenvolver de forma lenta e silenciosa — segundo a IDF, cerca de 1 em cada 3 pessoas com diabetes no Brasil não sabe que tem a doença. Se você tem fatores de risco, converse com seu médico sobre a realização de uma glicemia em jejum ou HbA1c mesmo na ausência de sintomas.

Qual a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?

A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o sistema imunológico destrói as células beta produtoras de insulina no pâncreas, exigindo insulinoterapia para toda a vida e se apresentando geralmente na infância ou na idade adulta jovem. A diabetes tipo 2 ocorre quando o organismo se torna resistente à insulina ou não produz insulina suficiente — está fortemente associada a fatores de estilo de vida como alimentação, sedentarismo e excesso de peso, e representa mais de 90% dos casos no Brasil. As duas condições têm causas, tratamentos e evoluções clínicas diferentes, embora ambas exijam manejo cuidadoso para evitar complicações.

Quais são os melhores tratamentos para diabetes tipo 2 no Brasil?

O tratamento de primeira linha inclui normalmente a metformina associada a modificações do estilo de vida. As classes de medicamentos mais recentes — em particular os agonistas GLP-1 (como a semaglutida/Ozempic) e os inibidores SGLT2 (como a empagliflozina/Jardiance) — revolucionaram o tratamento por reduzirem a glicemia e simultaneamente protegerem o coração e os rins e promoverem a perda de peso. O PCDT do Ministério da Saúde e as diretrizes da SBD e da ADA 2025 recomendam essas classes em pacientes com doença cardiovascular estabelecida, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica. O tratamento é sempre individualizado — seu médico irá adequá-lo ao seu perfil específico.

Com que frequência devo ir ao médico se tiver diabetes no Brasil?

Se você tem diabetes diagnosticada, deve realizar pelo menos uma consulta anual estruturada — que inclui avaliação de HbA1c, pressão arterial, função renal, colesterol, peso, exame dos pés e exame de fundo de olho. Medições mais frequentes de HbA1c (a cada 3 a 6 meses) são recomendadas se o controle glicêmico não estiver adequado ou se a terapia tiver sido alterada recentemente. Diferentemente de outros países, o Brasil ainda não tem um programa nacional unificado de rastreio de retinopatia, então vale a pena agendar seu exame de retina diretamente com um oftalmologista ou pela Atenção Primária do SUS.

A diabetes pode entrar em remissão?

A diabetes tipo 2 pode, em alguns casos, entrar em remissão — definida como a obtenção de valores de glicemia próximos do normal sem medicação — por meio de perda de peso significativa, frequentemente com dietas de baixíssimo aporte calórico ou cirurgia bariátrica. O estudo DiRECT demonstrou remissão em cerca de 50% dos participantes após um ano com um programa dietético estruturado. Isso não significa que a tendência subjacente seja eliminada — a remissão exige mudanças sustentadas no estilo de vida para se manter. A diabetes tipo 1 não tem cura atualmente, embora as terapias com células-tronco em ensaios clínicos prometam restaurar a produção de insulina nos próximos anos.

Posso consultar um médico sobre diabetes online no Brasil?

Sim. A Global Health oferece consultas de clínica geral online com médicos registrados no CRM — incluindo consultas de revisão da diabetes, avaliação de sintomas, revisão de medicação e pedido de exames (incluindo HbA1c, glicemia em jejum e painel metabólico completo). A prescrição digital é emitida em conformidade com as normas do CFM, aceita diretamente em farmácias de todo o Brasil, quando clinicamente indicado. Agende sua consulta em myglobalhealth.online ou entre em contato pelo e-mail globalhealth@myglobalhealth.online.

Aviso Médico Escrito pelo Dr. Tiago Miguel Figueira (OM 77986) e revisado clinicamente pelo Dr. Renato Sarmento (CRM 170837/SP), Diretor Clínico da Global Health. Este artigo destina-se a fins informativos e educativos gerais e não constitui aconselhamento médico personalizado. As informações baseiam-se nas diretrizes do Ministério da Saúde, da SBD, da ADA, da SBEM e na literatura científica revisada por pares, atualizadas até junho de 2026. Se você está tendo sintomas de diabetes ou uma emergência médica, ligue imediatamente para o SAMU (192) ou procure a emergência hospitalar mais próxima.

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