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Saúde Musculoesquelética

Lombalgia crónica: causas, ciática, diagnóstico e tratamento

A lombalgia afeta 26,4 % dos adultos em Portugal. Causas, dor ciática, hérnia discal, sinais de alerta, exames e tratamento, e o que uma consulta por videochamada pode fazer.

Revisado clinicamente por Dra. Maria de Sá Pacheco

Mulher sentada à secretária em casa, com a mão na zona lombar, numa consulta por videochamada no portátil.
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Lombalgia crónica: causas, ciática, diagnóstico e tratamento

A dor lombar acompanha muitos portugueses durante meses ou anos. Este guia explica as causas, a ciática, os sinais de alerta, os exames e os tratamentos, e o que uma consulta por videochamada pode fazer por si.

A lombalgia é a dor na região lombar, entre as últimas costelas e as nádegas, e passa a ser considerada crónica quando dura mais de 12 semanas. No estudo nacional EpiReumaPt, 26,4 % dos adultos portugueses tinham lombalgia confirmada por um reumatologista. A maioria dos episódios melhora com movimento e acompanhamento adequado. Se a dor persiste, desce para a perna ou o acorda à noite, uma avaliação por videochamada com o nosso médico é um bom primeiro passo. Febre, fraqueza que se agrava ou alterações urinárias são sinais de alerta que exigem avaliação imediata.

Videochamada com médico inscrito na Ordem dos MédicosExames pedidos só quando se justificamSeguimento e encaminhamento quando necessário

Definição

O que é a lombalgia e quando se torna crónica

Lombalgia é a dor ou o desconforto na zona lombar, abaixo das últimas costelas e acima das nádegas, com ou sem dor nas pernas.

Classifica-se pela duração: é aguda até seis semanas, subaguda entre seis e 12 semanas e crónica (ou persistente) quando dura mais de 12 semanas. Segundo o Centro de Informação do Medicamento da Ordem dos Farmacêuticos, a lombalgia afeta até 80 % das pessoas em algum momento da vida e é uma das principais causas de incapacidade.

  • Lombalgia inespecífica. Cerca de 80 a 90 % dos casos, sem uma causa concreta identificável.
  • Hérnia discal e ciática. Um disco comprime uma raiz nervosa e a dor desce para a perna.
  • Alterações degenerativas. Desgaste dos discos e das articulações da coluna (espondilose) e estenose do canal vertebral.
  • Lombalgia inflamatória. Rigidez prolongada ao acordar que alivia com o movimento, sobretudo em jovens; pode indicar uma espondiloartrite.
  • Causas graves. Fraturas, infeções ou tumores são raros: menos de 1 % das pessoas com lombalgia tem uma causa grave.

Fonte: Ordem dos Farmacêuticos, Centro de Informação do Medicamento — Lombalgia: intervenções terapêuticas (2025).


Dados nacionais

Lombalgia em Portugal: o que dizem os números

O EpiReumaPt é o maior estudo populacional de doenças reumáticas feito em Portugal, e a lombalgia aparece em primeiro lugar.

  • 26,4 % dos adultos tinham lombalgia confirmada por reumatologista, a doença reumática mais frequente do estudo
  • 10,4 % referiam lombalgia crónica ativa: dor presente no dia da entrevista e há 90 dias ou mais
  • 10 661 adultos selecionados aleatoriamente em todo o país
  • OR 2,77 para sintomas de ansiedade em quem tinha lombalgia crónica ativa, face a quem não tinha

Fontes: Branco JC et al., RMD Open 2016;2(1):e000166 (EpiReumaPt); Gouveia N et al., Rheumatology International 2016;36(2):183-197.

Os dados foram recolhidos entre setembro de 2011 e dezembro de 2013 pela equipa EpiReumaPt da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, com apoio, entre outros, da Direção-Geral da Saúde. A seguir à lombalgia surgiram as doenças periarticulares (15,8 %) e a artrose do joelho (12,4 %).

Na análise dedicada à lombalgia crónica, Nélia Gouveia, Jaime C. Branco, Helena Canhão e colegas verificaram que quem tinha dor ativa apresentava maior probabilidade de sintomas de ansiedade (OR 2,77), de reforma antecipada por doença (OR 1,88) e de mais consultas médicas. Os autores concluem que a lombalgia crónica ativa é muito prevalente em Portugal e está associada a incapacidade e a elevado consumo de cuidados de saúde.

Outra análise do mesmo estudo (Pina Gonçalves N et al., ARP Rheumatology 2023) estimou em 29 % a prevalência de doenças reumáticas e musculoesqueléticas ainda por diagnosticar, associadas a pior qualidade de vida, pior função física e mais sintomas de ansiedade.

Fonte: Pina Gonçalves N et al., ARP Rheumatology 2023;2(1):7-16.

Sobre a data dos dados: os números do EpiReumaPt foram recolhidos em 2011–2013. Continuam a ser a principal referência nacional sobre lombalgia, mas os valores atuais podem ser diferentes.

Causas e fatores de risco

Causas da dor nas costas e fatores de risco

Na maioria das pessoas, a dor nas costas resulta de vários fatores em conjunto, e não de uma lesão única.

  • Trabalho sedentário e muitas horas sentado.
  • Esforço físico intenso: profissões que obrigam a levantar pesos ou a dobrar o tronco repetidamente.
  • Excesso de peso e obesidade, associados à lombalgia crónica no estudo português.
  • Ansiedade, depressão e outros fatores psicossociais, como o stress.
  • Episódios anteriores de lombalgia.
  • Envelhecimento: desgaste dos discos e das articulações, estenose e fraturas vertebrais por osteoporose.
  • Outras doenças reumáticas e várias doenças em simultâneo, também associadas à lombalgia crónica no EpiReumaPt.
  • Mais raramente, causas inflamatórias, infeciosas ou tumorais, ou problemas fora da coluna, como doenças renais ou um aneurisma da aorta.

Fontes: Ordem dos Farmacêuticos, CIM — Lombalgia (2025); Gouveia N et al., Rheumatology International 2016.


Dor que desce para a perna

Lombociatalgia e dor ciática: quando a dor desce para a perna

Quando a dor lombar se estende pela nádega e pela parte de trás da perna, fala-se de lombociatalgia. A componente da perna é a ciática.

A ciática é a dor ao longo do nervo ciático, que sai da região lombar, passa pela nádega e desce pela perna. Costuma atingir só um lado e pode vir acompanhada de formigueiro, dormência ou fraqueza na perna ou no pé. A causa mais frequente é uma hérnia discal que comprime uma raiz nervosa; o desgaste da coluna, com formação de saliências ósseas, e o estreitamento do canal vertebral também a podem provocar.

  • Como se manifesta: a dor ciática pode ser intensa e piora muitas vezes ao tossir, espirrar ou dobrar o tronco.
  • Evolução: na maioria das pessoas melhora sem cirurgia; grande parte de quem tem dor nas costas recupera em cerca de seis semanas.
  • Exames: se os sintomas durarem mais de seis semanas, o médico pode pedir exames de imagem ou estudos dos nervos.
  • Cirurgia: é ponderada se a ciática for intensa e persistente, com fraqueza ou perda de sensibilidade, e é urgente se houver perda de controlo da bexiga ou do intestino.

Na lombociatalgia, a medicação ajuda menos: segundo o Centro de Informação do Medicamento, os anti-inflamatórios aliviam a lombalgia crónica sem sintomas radiculares, mas não com eles, e as injeções epidurais de corticoides dão apenas uma ligeira redução da dor a curto prazo.

Fontes: Manual MSD — Ciática; Manual MSD — Hérnia de disco; Ordem dos Farmacêuticos, CIM — Lombalgia (2025).


O relatório da ressonância

Hérnia discal e espondilose lombar: o que significam

Muitas pessoas chegam à consulta com um relatório de ressonância que fala em hérnia discal, protrusão ou espondilose lombar. Estes termos nem sempre explicam a dor.

Hérnia discal

Uma hérnia discal acontece quando o revestimento resistente de um disco intervertebral se rompe e o seu conteúdo gelatinoso faz saliência. A maioria ocorre na região lombar, sobretudo entre os 30 e os 50 anos. Pode não dar sintomas ou, se comprimir uma raiz nervosa, causar dor ciática, dormência e fraqueza. Ao fim de um a dois anos, a recuperação de quem foi operado e de quem não foi é semelhante.

Espondilose lombar

Espondilose lombar é o desgaste (artrose) dos discos e das pequenas articulações da coluna lombar, que aumenta com a idade. Podem formar-se saliências ósseas que, nos casos mais marcados, comprimem raízes nervosas ou estreitam o canal vertebral (estenose lombar), uma causa frequente de dor nas costas e nas pernas em pessoas mais velhas.

A ressonância magnética mostra muitas vezes discos salientes e sinais de desgaste em pessoas sem qualquer dor. Por isso, o médico interpreta sempre as imagens em conjunto com os sintomas e o exame clínico.

Fontes: Manual MSD — Hérnia de disco; Manual MSD — Dor lombar.


Sintomas

Sintomas de lombalgia e sinais de alerta

Sintomas habituais

  • Dor surda, em queimadura ou tipo pontada na região lombar.
  • Rigidez ao acordar ou depois de muito tempo sentado.
  • Dor que irradia para a nádega, a coxa ou a perna, com formigueiro ou dormência.
  • Dificuldade em dobrar o tronco, levantar pesos ou caminhar muito tempo.
  • Sono perturbado e cansaço por causa da dor.
Urgência: ligue 112 ou dirija-se de imediato a um serviço de urgência se tiver dificuldade em urinar ou perda de controlo da urina ou das fezes, perda de sensibilidade na zona genital ou entre as pernas, fraqueza súbita ou progressiva numa perna, dor depois de uma queda ou acidente, ou dor lombar com febre. Estes sinais podem indicar compressão grave dos nervos (síndrome da cauda equina), fratura ou infeção.

Outros sinais que justificam avaliação médica rápida: dor noturna intensa que não alivia com o repouso, perda de peso sem explicação, história de cancro, uso prolongado de corticoides, imunossupressão ou consumo de drogas injetáveis, e dor que não melhora ao fim de quatro a seis semanas.

Fontes: Ordem dos Farmacêuticos, CIM — Lombalgia (2025); Manual MSD — Dor lombar; gov.pt — Contactos de emergência em Portugal.


Diagnóstico

Como se faz o diagnóstico da lombalgia

Na maioria dos casos, uma boa história clínica e um exame físico chegam para avaliar uma lombalgia aguda.

PassoO que revela
História clínica e exame físicoTipo e duração da dor, irradiação, mobilidade, força, reflexos, sensibilidade e fatores de risco
Questionários de dor e funçãoIntensidade, incapacidade e impacto emocional; servem para acompanhar a evolução
Radiografia da colunaAlterações degenerativas, alinhamento, fraturas
Ressonância magnética (RM)Discos, raízes nervosas, estenose; indicada perante sinais de alerta ou sem melhoria com o tratamento
Tomografia computorizada (TC)Detalhe ósseo, quando a RM não é possível
Análises (VS, PCR, hemograma)Inflamação ou infeção
EletromiografiaLesão das raízes nervosas

Segundo o Centro de Informação do Medicamento, análises e exames de imagem geralmente não são necessários na lombalgia aguda: ficam para quando há sinais de alerta ou a dor não diminui com cuidados conservadores.

Fontes: Ordem dos Farmacêuticos, CIM — Lombalgia (2025); Manual MSD — Dor lombar.


Tratamento

Tratamento da lombalgia aguda e crónica

Na fase aguda

  • Manter-se ativo: o repouso prolongado na cama não ajuda. Numa dor intensa pode ser inevitável parar um ou dois dias, mas o objetivo é retomar as atividades aos poucos.
  • Perceber a dor: a lombalgia inespecífica tem, em regra, bom prognóstico, com melhoria significativa em quatro a seis semanas.
  • Calor local: pode reduzir um pouco a dor e a incapacidade, durante pouco tempo.
  • Medicamentos: só quando as medidas não farmacológicas não chegam, na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível, por indicação médica.

Na lombalgia crónica

  • Exercício supervisionado e terapia cognitivo-comportamental: as opções não farmacológicas de primeira linha na lombalgia subaguda e crónica. Nenhum tipo de exercício provou ser superior; o melhor é o que se adapta a si.
  • Educação sobre a dor e reabilitação multidisciplinar, com fisioterapia quando indicada.
  • Fatores psicológicos: mindfulness ou relaxamento progressivo ajudam a lidar com o que mantém a dor.
  • Medicamentos como complemento: tratamento de segunda linha, em dose baixa e reavaliado periodicamente; o uso rotineiro de opioides não é recomendado.
  • Tratamento da causa: uma lombalgia inflamatória é tratada em Reumatologia; compressão nervosa com défice neurológico, estenose grave ou instabilidade podem exigir avaliação cirúrgica se o tratamento conservador falhar.

Fontes: Ordem dos Farmacêuticos, CIM — Lombalgia: intervenções terapêuticas (2025); Manual MSD — Hérnia de disco.


Consulta por videochamada

Como a nossa consulta online ajuda na lombalgia

A lombalgia crónica raramente se resolve numa só consulta. A nossa avaliação músculo-esquelética e da dor por videochamada dá-lhe um plano e seguimento.

  • Avaliação: o médico revê a história da dor, a irradiação para a perna, o trabalho, o sono, a medicação e os tratamentos que já fez.
  • Sinais de alerta: identifica o que exige observação urgente e di-lo com clareza.
  • Exames: pede análises, radiografia ou ressonância apenas quando se justificam e revê consigo os relatórios que já tem.
  • Plano: exercício, ajustes no trabalho e no sono e, se necessário, medicação adequada ao seu caso.
  • Seguimento: consultas de reavaliação para medir a evolução da dor e da função e ajustar o plano.
  • Encaminhamento: quando é preciso, o nosso médico encaminha-o para Reumatologia, Medicina Física e de Reabilitação, Ortopedia, Neurocirurgia, fisioterapia ou apoio psicológico.

Alguns casos exigem exame presencial da coluna; quando for assim, o médico di-lo claramente e indica o passo seguinte. Marque aqui a avaliação músculo-esquelética e da dor.


Não adiar

Porque vale a pena avaliar a dor nas costas cedo

Avaliar cedo permite excluir causas graves, encontrar a origem provável da dor e começar o tratamento certo antes de um episódio agudo se tornar crónico.

  • Cronificação: episódios repetidos e dor persistente.
  • Lesão nervosa: fraqueza ou perda de sensibilidade duradouras se uma compressão não for tratada a tempo.
  • Perda de mobilidade e de força, com mais risco de quedas.
  • Incapacidade para o trabalho: no estudo nacional, a lombalgia crónica ativa associou-se a reforma antecipada por doença.
  • Ansiedade, depressão e insónia, que agravam a dor.
  • Doença por identificar: infeção, fratura, tumor ou doença inflamatória.
  • Uso prolongado de analgésicos e os seus efeitos adversos.

Os autores do EpiReumaPt defendem mais sensibilização para estas doenças e mais recursos para o seu tratamento; a análise de 2023 acrescenta que uma identificação mais precoce traz benefícios pessoais e sociais.

Fontes: Branco JC et al., RMD Open 2016; Gouveia N et al., Rheumatology International 2016; Pina Gonçalves N et al., ARP Rheumatology 2023.


Prevenção

Como prevenir novas crises de lombalgia

  • Mantenha-se fisicamente ativo: a Organização Mundial da Saúde recomenda aos adultos pelo menos 150 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada.
  • Evite ficar muito tempo na mesma posição e faça pausas regulares para caminhar.
  • Adapte o posto de trabalho: cadeira, altura do ecrã e forma de levantar pesos.
  • Cuide do sono e do bem-estar mental.
  • Peso saudável e deixar de fumar fazem bem à saúde em geral, embora haja poucos dados de que, por si sós, previnam novas crises.

Fontes: Ordem dos Farmacêuticos, CIM — Lombalgia (2025); Organização Mundial da Saúde — Physical activity.


Cuidados em Portugal

Avalie a sua dor lombar com um médico

Uma consulta por videochamada permite avaliar a dor, excluir sinais de alerta e definir um plano com seguimento.

Dor nas costas há mais de algumas semanas?

Fale por videochamada com um médico sobre a sua dor, os exames que fazem sentido e um plano com seguimento.


Dúvidas

Perguntas frequentes sobre lombalgia

Quando devo procurar um médico por causa de uma lombalgia?

Se a dor não melhora ao fim de quatro a seis semanas, desce para a perna, o acorda à noite, vem com formigueiro ou perda de peso sem explicação, marque uma avaliação; a nossa consulta por videochamada é uma forma simples de começar. Febre, perda de controlo da urina ou das fezes, dormência na zona genital ou fraqueza que se agrava são sinais de alerta e exigem avaliação imediata.

Preciso de fazer uma ressonância magnética à coluna?

Nem sempre. Sem sinais de alerta, os exames de imagem geralmente não são necessários no início. São pedidos perante sinais de alerta, suspeita de compressão de um nervo ou dor que não melhora com o tratamento conservador.

A lombalgia crónica tem cura?

Muitas vezes melhora bastante com exercício supervisionado, reabilitação e, se necessário, medicação, mas pode exigir acompanhamento prolongado.

A dor ciática passa sozinha?

Na maioria das pessoas, sim: a dor ciática tende a melhorar sem cirurgia em algumas semanas. Se durar mais de seis semanas ou for muito intensa, deve ser avaliada por um médico; fraqueza que se agrava ou perda de sensibilidade exigem avaliação imediata.

Que médico devo consultar para a dor nas costas?

Comece pela nossa avaliação músculo-esquelética e da dor por videochamada. O nosso médico avalia a sua dor, pede os exames necessários e, quando se justifica, encaminha-o para Reumatologia, Medicina Física e de Reabilitação, Ortopedia ou Neurocirurgia.

Quantos portugueses têm lombalgia?

No estudo nacional EpiReumaPt, 26,4 % dos adultos tinham lombalgia e 10,4 % referiam lombalgia crónica ativa, presente há 90 dias ou mais.

Informação médicaInformação geral que não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento individual. Em caso de emergência, ligue 112.

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