Acompanhamento contínuo da diabetes, online
A diabetes é uma condição que se vive todos os dias, e um bom controlo depende de revisão regular e estruturada. Os nossos médicos registados na Ordem dos Médicos avaliam o seu controlo glicémico, medicação, e risco global por videochamada segura, e coordenam exames ou apoio especializado quando necessário.
Este é um acompanhamento clínico estruturado — não uma renovação automática. Se o seu controlo mudou ou surgiram novos sintomas, avaliamo-los de forma adequada.
Sintomas da diabetes
A diabetes tipo 2 instala-se devagar e os primeiros sinais confundem-se facilmente com cansaço do dia a dia. O SNS 24 e a OMS apontam como sintomas:
- muita sede e boca seca
- mais fome do que o habitual
- urinar mais vezes do que o habitual
- visão turva
- cansaço extremo
- perder peso sem querer (na diabetes tipo 1, de forma repentina)
No tipo 2, estes sintomas podem ser tão ligeiros que passam despercebidos durante anos. Por isso, muitas pessoas só descobrem a diabetes quando já há complicações. Se se reconhece nesta lista, ou se tem fatores de risco que a OMS associa à diabetes tipo 2, como excesso de peso, pouca atividade física ou familiares com diabetes, fale com um médico sobre fazer análises.
Como se faz o diagnóstico
A diabetes diagnostica-se com análises ao sangue. Segundo a Norma 002/2011 da DGS, há diabetes quando se verifica um destes resultados:
- glicemia em jejum igual ou superior a 126 mg/dl
- hemoglobina glicada (HbA1c) igual ou superior a 6,5%
- glicemia igual ou superior a 200 mg/dl duas horas após a prova de tolerância à glicose oral
- glicemia ocasional igual ou superior a 200 mg/dl, com sintomas típicos
Numa pessoa sem sintomas, um único valor alterado deve ser confirmado com nova análise uma a duas semanas depois.
Há também uma fase intermédia, a pré-diabetes: glicemia em jejum entre 110 e 125 mg/dl, ou entre 140 e 199 mg/dl duas horas após a prova de tolerância. É um aviso, mas também o momento em que mudar hábitos faz mais diferença.
A hemoglobina glicada mostra a média do açúcar no sangue dos últimos dois a três meses e é também a análise usada para acompanhar o controlo de quem já tem diabetes. O seu médico define consigo o valor a atingir.
Vigilância para detetar complicações cedo
Com o tempo, a diabetes mal controlada danifica os vasos sanguíneos e os nervos. O SNS 24 e a OMS lembram que aumenta o risco de enfarte, AVC e doença renal crónica, pode causar doença dos olhos e cegueira, problemas nos pés que levam a úlceras e, em casos graves, a amputação, e ainda infeções na pele e nas gengivas, disfunção sexual e depressão.
Muitos destes problemas podem ser evitados ou atrasados com tratamento e vigilância regular. A OMS destaca os exames regulares aos olhos, aos rins e aos pés. Na prática, o acompanhamento inclui:
- hemoglobina glicada, que mostra o controlo dos últimos 2 a 3 meses
- tensão arterial e colesterol
- análises ao sangue e à urina para avaliar os rins
- rastreio da retinopatia diabética (exame aos olhos)
- observação dos pés na consulta e, em casa, todos os dias
O seu médico define a frequência de cada exame de acordo com o seu caso.
Alimentação, exercício e medicação
Para a diabetes tipo 2, o estilo de vida é a base do tratamento e da prevenção. A OMS recomenda:
- atingir e manter um peso saudável
- fazer pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana, como caminhar a bom ritmo
- comer de forma saudável, evitando o açúcar e as gorduras saturadas
- não fumar
Muitas pessoas precisam também de medicação para controlar o açúcar no sangue. Há vários tipos, como a metformina, as sulfonilureias, os inibidores do SGLT-2 ou a insulina, e o médico escolhe de acordo com o seu caso. Na diabetes tipo 1, a insulina diária é sempre necessária.
Mais de 95 % das pessoas com diabetes têm o tipo 2, que muitas vezes se pode prevenir ou atrasar. O tipo 1 não tem causa conhecida nem forma de prevenção. Em ambos os casos, quanto mais cedo o diagnóstico, menor o risco de complicações.
O que um médico online pode fazer
Grande parte do acompanhamento da diabetes é conversa e revisão, e isso funciona bem por vídeo. O médico pode:
- analisar consigo a hemoglobina glicada, as glicemias e outras análises
- rever a medicação, os efeitos secundários e a forma como encaixa no seu dia
- fazer a renovação do tratamento quando é clinicamente adequado
- falar sobre alimentação, atividade física e peso, e encaminhar para a nossa consulta de perda de peso
- pedir análises, exames ou referenciação para especialista
Há coisas que exigem uma consulta presencial. Uma videochamada não permite testar a sensibilidade dos pés, observar o fundo do olho nem colher sangue. O médico diz-lhe o que precisa de ser feito presencialmente e onde. As mudanças maiores no tratamento são muitas vezes mais bem decididas com o seu médico de família ou com a equipa hospitalar, que acompanham o seu processo ao longo do tempo.
Quando procurar ajuda urgente
Fale com o seu médico em breve se os sintomas piorarem de repente, se surgirem sintomas novos entre consultas ou se notar alterações na visão.
Uma hipoglicemia (açúcar baixo) dá, segundo o SNS 24, tremores, palpitações, transpiração, ansiedade e fome. Se for grave, pode causar dificuldade em raciocinar, convulsões ou perda de consciência. Ligue 112 se uma pessoa com diabetes estiver confusa, muito sonolenta, inconsciente ou não conseguir tratar a hipoglicemia sozinha.
Açúcar muito alto também pode ser uma emergência. Vómitos, dor de barriga, respiração rápida, muita sonolência e hálito com cheiro adocicado, com a glicemia alta, podem ser sinais de cetoacidose diabética. Nesse caso, ligue 112 ou vá à urgência. Em caso de dúvida, a Linha SNS 24 (808 24 24 24) avalia a situação e diz-lhe onde ir.
A diabetes no SNS
Em Portugal, o diagnóstico e o acompanhamento da diabetes começam normalmente no centro de saúde, com apoio hospitalar quando é preciso. A norma da DGS sobre o diagnóstico destina-se precisamente aos cuidados de saúde primários. Com indicação médica, o Estado comparticipa as tiras-teste de glicemia (85 % do preço máximo) e, na totalidade, as agulhas, seringas e lancetas (Portaria n.º 35/2016).
A consulta online completa este acompanhamento. É útil entre consultas, quando não tem médico de família atribuído ou quando precisa de rever resultados sem esperar.
Para saber mais, leia o nosso artigo Diabetes: a doença silenciosa.
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Consulta de Medicina Geral e Familiar
Fontes
- Diabetes (SNS 24)
- Diabetes fact sheet (OMS)
- Norma 002/2011, diagnóstico e classificação da diabetes mellitus (DGS)
- HbA1c testing (HSE)
- Health problems related to type 2 diabetes (HSE)
- Hypoglycaemia (HSE)
- Ketones and DKA (HSE)
- Sobre nós (Linha SNS 24, 808 24 24 24) (SNS 24)
- Portaria n.º 35/2016, comparticipação de tiras-teste, agulhas, seringas e lancetas (Diário da República)
- Type 2 diabetes, food and keeping active (NHS)

