Dor nas costas e dor lombar crônica: causas, sintomas e tratamento
Um guia sobre lombalgia, lombociatalgia e dor ciática no Brasil: o que os dados mostram, quando a dor é sinal de alerta, o que significa o CID M54.5 e como voltar a se exercitar com segurança.
Dor nas costas que dura mais de 12 semanas é chamada de dor lombar crônica, ou lombalgia crônica, e na maioria dos casos melhora com movimento, exercício e acompanhamento. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde 2019 do IBGE, 21,6% dos adultos brasileiros, cerca de 34,3 milhões de pessoas, relataram problema crônico de coluna. Dor que desce para a perna, que não melhora em algumas semanas ou que vem com fraqueza, febre ou alteração urinária precisa de avaliação médica. Sem sinais de emergência, uma consulta clínica online é um bom primeiro passo.
Entender a dor
Dor nas costas e lombalgia: o que é a dor lombar crônica
Lombalgia, ou dor lombar, é a dor na parte baixa das costas, entre a última costela e as nádegas, com ou sem dor na perna.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a dor lombar pelo tempo de duração: ela é aguda quando dura menos de 6 semanas, subaguda entre 6 e 12 semanas e crônica quando passa de 12 semanas. A maioria das pessoas terá dor nas costas em algum momento da vida, e grande parte das crises agudas melhora sozinha. Em algumas pessoas, porém, os sintomas continuam e a dor se torna crônica.
Em cerca de 90% dos casos, a dor lombar é inespecífica: não é possível apontar uma doença ou lesão que explique a dor. Nos demais, existe uma causa identificável, como a compressão de um nervo, uma doença inflamatória, uma fratura ou, mais raramente, uma infecção ou um tumor.
- Dor lombar inespecífica. A mais comum, ligada a sobrecarga, fraqueza muscular, sedentarismo e fatores emocionais.
- Hérnia de disco e dor ciática. Compressão de uma raiz nervosa, com dor que desce para a perna, formigamento ou dormência.
- Alterações degenerativas. Desgaste dos discos e das articulações, estenose do canal e artrose.
- Dor lombar inflamatória. Rigidez ao acordar que melhora com o movimento; pode indicar uma espondiloartrite, inclusive em jovens.
Fonte: OMS, Low back pain.
Brasil em números
Dor na coluna no Brasil: o que os dados mostram
O problema crônico de coluna é uma das condições de saúde mais relatadas pelos adultos brasileiros e lidera os afastamentos do trabalho.
- 21,6% dos adultos relataram problema crônico de coluna em 2019
- 34,3 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais
- 237.113 afastamentos do trabalho por dorsalgia (CID M54) em 2025
- 208.727 afastamentos por transtornos dos discos intervertebrais (CID M51), como a hérnia de disco, em 2025
Na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, feita pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, o indicador chegou a 21,6%, contra 18,5% em 2013. As mulheres relataram mais o problema (24,5%) do que os homens (18,3%), e a proporção aumentou com a idade: de 10,2% entre 18 e 29 anos para cerca de 30% a partir dos 60 anos.
Um estudo publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia (Malta e colaboradores, 2022), com dados de 88.531 adultos da PNS 2019, encontrou maior chance de dor crônica na coluna entre mulheres, pessoas mais velhas, fumantes e ex-fumantes, quem faz atividade doméstica pesada, pessoas com obesidade, hipertensão ou colesterol alto e adultos com baixa escolaridade.
No trabalho, as dores nas costas lideraram pelo terceiro ano seguido os afastamentos por incapacidade temporária pagos pelo INSS: em 2025, a dorsalgia afastou 237.113 trabalhadores formais por mais de 15 dias, contra 205.142 em 2024. Entre as mulheres, foi a principal causa de licença, com 121.586 casos.
O indicador da PNS é autorreferido e inclui dor em qualquer parte da coluna. Fontes: IBGE, PNS 2019; Malta DC et al., 2022; Agência Brasil, dados da Previdência Social; Correio.
Classificação
CID da dor lombar: o que significam M54.5 e os códigos vizinhos
No atestado ou no pedido de exame, a dor lombar costuma aparecer com o código M54.5 da CID-10, a Classificação Internacional de Doenças.
Na tabela CID-10 usada no Brasil, publicada pelo Ministério da Saúde, o código M54.5 corresponde a “dor lombar baixa” e inclui a dor lombar e o lumbago sem outra especificação. Ele faz parte do grupo M54, dorsalgia, o mesmo grupo que aparece nas estatísticas de afastamento do INSS.
| Código | Título na CID-10 | Uso mais comum |
|---|---|---|
| M54.5 | Dor lombar baixa | Dor lombar e lumbago sem outra especificação |
| M54.4 | Lumbago com ciática | Dor lombar com dor ciática na perna (lombociatalgia), quando não é atribuída a um problema de disco |
| M54.3 | Ciática | Dor no trajeto do nervo ciático, sem dor lombar |
| M51 | Outros transtornos de discos intervertebrais | Hérnia de disco e outros problemas do disco; M51.1 inclui o disco lombar com radiculopatia |
O código descreve o quadro, não a gravidade nem o tratamento. O médico o escolhe depois de avaliar você, e ele pode mudar se a investigação mostrar outra causa.
Fontes: tabela CID-10 do Ministério da Saúde; OMS, CID-10 versão 2019, M54.5.
Por que dói
Causas e fatores de risco da dor lombar
Raramente existe uma única causa. A dor costuma surgir da soma de esforço, condicionamento físico, hábitos e fatores emocionais.
- Sedentarismo e muitas horas sentado, que enfraquecem os músculos que sustentam a coluna
- Trabalho pesado: carregar peso, posições forçadas e movimentos repetitivos, incluindo o trabalho doméstico pesado
- Obesidade, hipertensão, colesterol alto e tabagismo, associados à dor crônica na coluna na PNS 2019
- Envelhecimento: desgaste de discos e articulações, estenose do canal e osteoporose
- Hérnia de disco e compressão de raízes nervosas
- Estresse, ansiedade, depressão e sono ruim, que favorecem a cronificação
- Doenças inflamatórias e, mais raramente, fraturas, infecções ou tumores
Fontes: OMS, Low back pain; Malta DC et al., 2022.
Sintomas
Lombociatalgia e dor ciática: sintomas e sinais de alerta
Quando a dor desce da lombar para o glúteo, a coxa ou a perna, geralmente há irritação de uma raiz nervosa. É a dor ciática; somada à dor lombar, ela recebe o nome de lombociatalgia.
Sintomas comuns
- Dor surda, em queimação ou em pontada na região lombar
- Rigidez ao acordar ou depois de muito tempo sentado
- Dor lombar que irradia para a perna, às vezes até o pé, com formigamento, choque ou dormência
- Dificuldade para se abaixar, carregar peso ou caminhar por muito tempo
- Sono prejudicado e cansaço por causa da dor
Sinais que pedem avaliação médica em breve
- Dor noturna que não alivia com repouso ou perda de peso sem explicação
- Histórico de câncer, osteoporose ou uso prolongado de corticoides
- Início antes dos 20 ou depois dos 50 anos
- Dor sem melhora depois de 4 a 6 semanas
- Rigidez matinal prolongada que melhora com o movimento
Investigação
Como é feito o diagnóstico da dor lombar
O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame. Exames de imagem entram quando há sinais de alerta ou quando a dor não melhora com o tratamento.
| Etapa | O que mostra |
|---|---|
| História clínica e exame físico | Tipo e duração da dor, irradiação, mobilidade, força, reflexos e sensibilidade |
| Classificação da dor | Mecânica ou inflamatória; presença de sinais de alerta e de fatores emocionais e sociais |
| Radiografia da coluna | Alinhamento, alterações degenerativas e fraturas |
| Ressonância magnética | Discos, raízes nervosas e estenose; indicada com sinais de alerta ou sem melhora com o tratamento |
| Exames de sangue (VHS, PCR, hemograma) | Sinais de inflamação ou infecção |
Desgastes como o “bico de papagaio” e até hérnias de disco são comuns em exames de pessoas sem dor. Por isso, a imagem é interpretada junto com o exame clínico e não é pedida de rotina sem sinais de alerta.
“Um achado na imagem não necessariamente explica a dor do paciente, e tratar a imagem em vez do paciente é um erro comum que pode levar a intervenções desnecessárias, inclusive cirúrgicas.” Bruno Bodanese, médico ortopedista, em nota da Secretaria da Saúde do Paraná, 16 de outubro de 2026
Fonte: Secretaria da Saúde do Paraná.
Tratamento
Tratamentos para dor nas costas aguda e crônica
Na maioria dos casos, o tratamento combina informação, movimento, exercício e, quando necessário, medicamento pelo menor tempo possível.
Na crise aguda
- Manter-se ativo: repouso prolongado na cama não ajuda e pode atrasar a recuperação
- Analgésicos e anti-inflamatórios pelo menor tempo possível, com orientação médica
- Calor local e retorno gradual às atividades
Na dor lombar crônica
- Exercício terapêutico e fisioterapia, com fortalecimento e condicionamento físico
- Educação sobre a dor: entender o problema reduz o medo de se movimentar
- Controle do peso, sono e apoio psicológico quando há ansiedade ou depressão
- Bloqueios e infiltrações em casos selecionados
- Tratamento da causa inflamatória, quando ela existe
- Cirurgia em compressão nervosa com perda de força, estenose grave ou falha do tratamento clínico bem conduzido
Em 2023, a OMS publicou a sua primeira diretriz para a dor lombar crônica primária. Ela recomenda educação e autocuidado, exercícios, algumas terapias físicas, como manipulação da coluna e massagem, terapia cognitivo-comportamental e alguns medicamentos, como os anti-inflamatórios. E desaconselha, para a maioria das pessoas, cintas lombares, tração e analgésicos opioides.
No Brasil, os medicamentos ainda predominam. Na PNS 2019, entre quem fazia algum tratamento para o problema de coluna, 44,4% usavam medicamento ou injeção e 27,4% praticavam exercício físico com regularidade. Com dados de 2013, um estudo em Ciência & Saúde Coletiva (2019) mostrou que 46,4% das pessoas com o problema não faziam nenhum tratamento e que quem tinha ensino superior tinha 2,39 vezes mais chance de fazer fisioterapia.
Quando há indicação, a cirurgia pode ajudar. O neurocirurgião Denildo Veríssimo, especialista em cirurgia da coluna, disse ao portal Banda B que a ideia de que toda cirurgia de coluna deixa sequelas é um mito e que, “quando bem indicada e feita com técnica”, ela alivia a dor. A indicação depende do exame, de imagem compatível com os sintomas e da falha do tratamento clínico.
Fontes: OMS, diretriz de 2023; IBGE, PNS 2019; Romero DE et al., 2019; Banda B.
Movimento
Exercício para dor lombar: como começar com segurança
O exercício é a base do tratamento da dor lombar crônica. A regra é começar leve e progredir aos poucos.
- Caminhada. Comece com caminhadas curtas, em ritmo confortável, e aumente o tempo aos poucos.
- Fortalecimento do core. Exercícios para abdômen, glúteos e músculos das costas, como a ponte e a prancha adaptada, ajudam a sustentar a coluna.
- Pilates e alongamento. Trabalham força, controle e mobilidade; no começo, prefira aulas com orientação profissional.
- Natação e hidroginástica. A água reduz o impacto.
- Pausas ao longo do dia. Se você passa muito tempo sentado, levante-se e mude de posição.
Para adultos, a OMS recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana. Com dor nas costas, essa meta pode ser alcançada aos poucos.
Fontes: OMS, Physical activity; OMS, diretriz de 2023.
Não adiar
Por que avaliar cedo e os riscos de adiar o tratamento
Avaliar cedo permite excluir causas graves, identificar o tipo de dor, começar o tratamento certo e evitar que uma crise vire dor crônica.
O anestesiologista Marco Delazzo, especialista em dor crônica, contou ao Correio que muitos trabalhadores convivem com dor todos os dias, tomam remédio por conta própria e adiam o tratamento, e que é comum receber pacientes com dor há um, dois ou três anos. Nesse tempo, segundo ele, o sistema nervoso se adapta, a dor se cronifica e o tratamento fica mais complexo.
“A dor crônica não é fatalidade. É um problema de saúde com tratamento eficaz.” Marco Delazzo, anestesiologista, ao Correio, 6 de outubro de 2026
Riscos de deixar para depois
- Cronificação: crises repetidas e dor constante
- Lesão nervosa: fraqueza duradoura e perda de sensibilidade em compressões não tratadas
- Perda de mobilidade, afastamento do trabalho e perda de renda
- Ansiedade, depressão e insônia
- Doença não identificada, como infecção, fratura ou espondiloartrite
- Uso excessivo de analgésicos
Fonte: Correio.
Atendimento online
Consulta clínica online para dor nas costas
A dor lombar crônica raramente se resolve em uma única consulta: ela pede avaliação, um plano claro e acompanhamento.
Na Consulta Clínica Online, você conversa por vídeo com um médico registrado no CRM, como o Dr. Renato Sarmento, médico de família e comunidade. Na consulta, o médico:
- Avalia a dor: início, local, irradiação para a perna e o que melhora ou piora
- Procura sinais de alerta e orienta atendimento de urgência quando eles aparecem
- Observa movimentos simples por vídeo, como andar na ponta dos pés e nos calcanhares
- Solicita exames de imagem ou de sangue quando fazem sentido
- Monta um plano com exercício, ajustes na rotina e, se necessário, medicamento
- Acompanha a evolução em consultas de retorno
- Encaminha para ortopedia, reumatologia, fisiatria, fisioterapia ou cirurgia de coluna quando o caso pede
A consulta online não substitui o exame físico completo da coluna. Quando for preciso examinar você pessoalmente, o médico dirá isso com clareza e orientará o próximo passo.
Próximo passo
Continue com o atendimento certo
Sem sinais de emergência, uma consulta clínica online ajuda a entender a dor, organizar exames e montar um plano de tratamento.
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A coluna dói há mais de algumas semanas?
Na consulta clínica online, o médico avalia a sua dor, verifica sinais de alerta e monta um plano com você, incluindo exames e encaminhamento quando forem necessários.
Referências
Fontes consultadas
Fontes verificadas em 18 de outubro de 2026.
O artigo resume dados do IBGE e do Ministério da Previdência Social, dois estudos brasileiros revisados por pares e orientações da OMS. Os números de afastamento referem-se a benefícios do INSS para trabalhadores formais. As citações de especialistas foram conferidas nas páginas de origem. O texto não indica medicamentos nem doses e não substitui a avaliação médica.
Dúvidas
Perguntas frequentes sobre dor nas costas
Quando a dor nas costas precisa de avaliação médica?
Quando dura mais de algumas semanas, desce para a perna, acorda você à noite, vem com fraqueza, formigamento, febre ou perda de peso, ou quando você tem histórico de câncer ou osteoporose. Perda de controle da urina ou das fezes e dormência na região genital são emergência: siga o alerta da seção de sintomas.
Dor lombar que irradia para a perna é sempre hérnia de disco?
Não. A hérnia de disco é uma causa comum de dor ciática, mas a dor que desce para a perna também pode vir de estenose do canal, das articulações da coluna ou dos músculos da região. Quando a dor lombar e a dor na perna aparecem juntas, fala-se em lombociatalgia. O médico define a causa pela história, pelo exame e, se necessário, por exames de imagem.
Qual é o CID da dor lombar?
Na CID-10, a dor lombar baixa tem o código M54.5. A lombociatalgia, dor lombar com dor ciática, costuma ser registrada como M54.4, e a hérnia de disco aparece no grupo M51. O médico escolhe o código depois de avaliar o seu caso.
Qual médico trata a coluna?
Se você procura um médico que trata a coluna, comece pela nossa consulta clínica online. O nosso médico avalia a dor, pede exames quando necessário, monta o plano de tratamento e, se o caso pedir, encaminha você para ortopedia, reumatologia, fisiatria ou cirurgia de coluna.
Preciso fazer ressonância magnética?
Nem sempre. Sem sinais de alerta, a maioria das dores lombares não precisa de exame de imagem no início. A ressonância é indicada quando há sinais de alerta, suspeita de compressão de nervo com perda de força ou dor que não melhora com o tratamento.







